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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Elementos - dia 13

Falamos de Magia, Roda do Ano, Rituais, e para colocar um pouco mais de "tempero" a este papo, falaremos agora sobre os Elementos, um dos muitos frutos do druidismo que estão inseridos nos ensinamentos da Magia Cerimonial, da Teurgia, da Alquimia e de tantas outras Escolas Iniciáticas. Seguir o caminho mágico druídico e negligenciar tal conhecimento, é negar toda a Magia existente. Então, como não há escapatória, falemos sobre eles então.

Existem 2 formas de se encarar os Elementos na Doutrina Druídica... A dos Elementos formadores da Natureza, e a dos Elementos formadores do Homem, ou do Corpo Humano. O Primeiro é dividido em 5 Elementos básicos e essenciais (colocarei aqui também suas relicárias, como forma de facilitar o estudo): Terra - Calas - Prato (ou escudo) ; Água - Gwyar - Cálice (ou elmo); Fogo - Uvel - Cajado/varinha (ou lança); Ar - Fun - Espada/punhal; e  finalmente, o quinto elemento, que na Alquimia seria o Éter, mas entre os Druidas, é denominado de Nwyre, a junção de todos os elementos, a Mônada divina, cujo símbolo ou relicário é o Caldeirão. A dos Elementos formadores do Homem, seriam 8, segundo o Barddas, a saber: A Terra, ou a Carne; a Água, ou o Sangue; o Ar, ou a Respiração; a Rocha, ou os Ossos; o Sal, ou os Nervos e Sentimentos; O Fogo, ou o Calor do corpo, o Impulso, a agitação; A verdade, ou a Mente, seu entendimento e discernimento; e finalmente a Alma, ou a Partícula divina que existe em todos os seres. Nos concentremos primeiramente nos Elementos Naturais.

Calas, a Terra, símbolo da estabilidade, da solidez que nos permite caminhar e seguir em frente. Sem o Elemento Terra, nada é concreto, nada é estável, sem que este elemento esteja envolvido... É o elemento da CONCRETIZAÇÃO e SUSTENTAÇÃO. Gwyar, a Água, a fluidez e a maleabilidade, é o contato com o "Outro mundo", com nosso Inconsciente, nossos sentimentos, se pensarmos na analogia dos Três Reinos. São nossos fluídos, nosso sangue, é a fertilidade, a maternidade. É o elemento da EMOÇÃO e INTUIÇÃO. Uvel, o Fogo, o calor que nos mantém vivos e ativos. É a agitação, o movimento (é só colocar um pouco de água no fogo, e verão que ela se agitará, borbulhará e evaporará devido ao movimento gerado pelo calor). Sem o calor, nada seria gerado, tudo seria estático (uma alusão a Cosmologia, se o Universo parar de se mover, entrará em colapso, deixará de existir, ou em termos druídicos, entrará em Ankou.). É o elemento da REALIZAÇÃO e da TRANSFORMAÇÃO, tendo em vista que o fogo mantém e destrói a vida, mudando a sua matéria. Fun, o Ar que respiramos, elemento que mantém o Fogo aceso, a Água em movimento, que leva o polem e as sementes de um lugar a outro da Terra. É símbolo de nossos pensamentos, nosso lado racional. É o elemento da INSPIRAÇÃO e da RACIONALIZAÇÃO. Nwyre, o Éter Filosófico, a junção dos elementos no Sagrado Caldeirão do Conhecimento Divino, de onde surge as Três Gotas da Sabedoria do AWEN Sagrado. É a Alma, a Partícula divina que encontra-se em todos nós. É o elemento da UNIÃO e da SACRALIZAÇÃO.

Podemos a partir desta pequena explicação, fazer uma uma co-relação entre estes Elementos e os 8 que citei acima... Calas, a Terra, a Rocha, a Carne e os Ossos, que juntos nos dão a sustentação para nosso corpo. Gwyar, a Água, o Sangue, o Sal (lembrando que o sal é terra, mas tem origem no mar, na água), nossos fluídos e nossos sentimentos, que mantem a vida e ajudam no processo de reprodução da vida. Uvel, o Fogo, o calor que nos mantem aquecidos e vivos, nossos impulsos de sobrevivência, nossa sede de lutar a cada dia pela nossa sobrevivência das mais variadas formas. Fun, o ar que respiramos, a Verdade inerente a cada um, a Mente, o discernimento. Nwyre, o éter, a Alma, a Divindade, o Incriado dentro de nós.

Para encerrar, as palavras de Iolo Morganwg sobre os 8 elementos:
  
From the earth, the flesh;
From the water, the blood;
From the air, the breath;
From the calas, the bones;
From the salt, the feeling;
From the sun, that is, the fire, his agitation;
From the truth, his understanding;
From the Holy Ghost, that is, God, his soul,
  or life.

(Tradução)

Da Terra, a Carne;
Da Água, o Sangue;
Do Ar, a Respiração;
Da Rocha * , os Ossos;
Do Sal, os Sentimentos;
Do Sol, isto é, do Fogo, a Agitação;
Da Verdade; o Entendimento;
Do Espírito Sagrado, isto é, de Deus, a Alma, a Vida

(*no Barddas, na parte onde aparece a relação dos Elementos que Constituem o Homem, aparece uma relação entre Calas e a Pedra, ou a Rocha, e sua relação com os ossos.)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Os Três Reinos - Dia 02

A Terra, o Mar e a Montanha, o que realmente simbolizam? Quais as lições que estas três simples palavras podem me trazer? Que segredos iniciáticos então nisto? Muitos irão falar que "nenhum, afinal, a terra é a terra, o mar é o mar e a montanha é a montanha". Mas para aqueles que aprenderam a enxergar na natureza um livro onde se pode aprender muito, se estiver com tempo suficiente para lê-lo, estas três palavras significam muita coisa.

A terra, onde fixamos nossa morada, onde trabalhamos diuturnamente para colher a fartura da lavoura, onde desempenhamos os mais diversos ofícios para garantir nossa subsistência. Podemos dizer que é nosso corpo físico, com suas diversas funções e necessidades, pois é através dele que nos alimentamos, trabalhamos, realizamos as mais diferentes formas de ofício, construímos mecanismos que nos auxiliam nas inúmeras tarefas. É através do nosso corpo físico, no mundo físico, que podemos realizar nossa função de "ser social", de viver e construir uma sociedade, e de estipular e concretizar relações sociais, já que apesar de termos pensamentos individuais, vivemos em uma coletividade.

O mar, onde os celtas apontavam o "Outro Mundo", Tir na nÓg, o "reino de Avalon", ou que nome achar mais apropriado. O Reino onde se dirigiam os mortos e onde Heol - o Sol - se dirigia diariamente para "morrer" no poente. Seria o Reino Espiritual, onde os espíritos dos que antes de nós existiram, habitam, aguardando a roda das encarnações chamá-los novamente. Mas também é o campo ou o mundo emocional, tendo em vista que o mar nos causa fascínio, atração e medo ao mesmo tempo. O líquido amniótico que protege os filhos no ventre de suas mães, tem uma composição parecida com a água do mar, nos mostrando o carinho, a ternura e o amor materno no ato da proteção e da gestação, e que o caminho do fim também pode ser o caminho do início. A vida como a conhecemos surgiu do mar, e o espírito pós-mortem se dirige justamente para ele, no eterno ciclo de nascimento-morte-renascimento que rege as Leis da Natureza.

A Montanha, que para os gregos era "a morada dos Deuses", local onde o homem, através do esforço da escalada, encontrava como recompensa a proximidade com a Inspiração Pura do Incriado - o AWEN - e a elevação dos pensamentos mundanos, pois ao terminar uma escalada, jamais pensamos nas contas a pagar, no trabalho a entregar, somente pensamos no prazer de estar alí, vendo a bela paisagem. Podemos relacionar a montanha com a Alma, o Reino Anímico, a mônada ou centelha divina que encontra-se em cada um dos seres, e de onde provém o AWEN ou a Inspiração individual, fonte da verdadeira sabedoria, tendo em vista as palavras de Platão : "todo conhecimento é mero esquecimento", pois esquecemos sempre que a fonte verdadeira encontra-se neste reino, e não nos papéis. E com isto, podemos relacionar a montanha com o "reino mental", o "Mundo das Ideias" platônico, ou com o Kether da cabala judaica. O reino de onde provém todas as idéias e  as manifestações do Incriado. E como a montanha é ligada a terra pela sua base, podemos dizer que a manifestação da mente, do pensamento, concretiza-se e se materializa no Plano físico, pois nada é criado sem que antes, tenha sido primeiramente pensado.

AWEN