segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Os Três Reinos - Dia 02

A Terra, o Mar e a Montanha, o que realmente simbolizam? Quais as lições que estas três simples palavras podem me trazer? Que segredos iniciáticos então nisto? Muitos irão falar que "nenhum, afinal, a terra é a terra, o mar é o mar e a montanha é a montanha". Mas para aqueles que aprenderam a enxergar na natureza um livro onde se pode aprender muito, se estiver com tempo suficiente para lê-lo, estas três palavras significam muita coisa.

A terra, onde fixamos nossa morada, onde trabalhamos diuturnamente para colher a fartura da lavoura, onde desempenhamos os mais diversos ofícios para garantir nossa subsistência. Podemos dizer que é nosso corpo físico, com suas diversas funções e necessidades, pois é através dele que nos alimentamos, trabalhamos, realizamos as mais diferentes formas de ofício, construímos mecanismos que nos auxiliam nas inúmeras tarefas. É através do nosso corpo físico, no mundo físico, que podemos realizar nossa função de "ser social", de viver e construir uma sociedade, e de estipular e concretizar relações sociais, já que apesar de termos pensamentos individuais, vivemos em uma coletividade.

O mar, onde os celtas apontavam o "Outro Mundo", Tir na nÓg, o "reino de Avalon", ou que nome achar mais apropriado. O Reino onde se dirigiam os mortos e onde Heol - o Sol - se dirigia diariamente para "morrer" no poente. Seria o Reino Espiritual, onde os espíritos dos que antes de nós existiram, habitam, aguardando a roda das encarnações chamá-los novamente. Mas também é o campo ou o mundo emocional, tendo em vista que o mar nos causa fascínio, atração e medo ao mesmo tempo. O líquido amniótico que protege os filhos no ventre de suas mães, tem uma composição parecida com a água do mar, nos mostrando o carinho, a ternura e o amor materno no ato da proteção e da gestação, e que o caminho do fim também pode ser o caminho do início. A vida como a conhecemos surgiu do mar, e o espírito pós-mortem se dirige justamente para ele, no eterno ciclo de nascimento-morte-renascimento que rege as Leis da Natureza.

A Montanha, que para os gregos era "a morada dos Deuses", local onde o homem, através do esforço da escalada, encontrava como recompensa a proximidade com a Inspiração Pura do Incriado - o AWEN - e a elevação dos pensamentos mundanos, pois ao terminar uma escalada, jamais pensamos nas contas a pagar, no trabalho a entregar, somente pensamos no prazer de estar alí, vendo a bela paisagem. Podemos relacionar a montanha com a Alma, o Reino Anímico, a mônada ou centelha divina que encontra-se em cada um dos seres, e de onde provém o AWEN ou a Inspiração individual, fonte da verdadeira sabedoria, tendo em vista as palavras de Platão : "todo conhecimento é mero esquecimento", pois esquecemos sempre que a fonte verdadeira encontra-se neste reino, e não nos papéis. E com isto, podemos relacionar a montanha com o "reino mental", o "Mundo das Ideias" platônico, ou com o Kether da cabala judaica. O reino de onde provém todas as idéias e  as manifestações do Incriado. E como a montanha é ligada a terra pela sua base, podemos dizer que a manifestação da mente, do pensamento, concretiza-se e se materializa no Plano físico, pois nada é criado sem que antes, tenha sido primeiramente pensado.

AWEN

domingo, 15 de janeiro de 2012

Druidismo - Dia 01

Para relatar o por quê de eu escolher o Druidismo, prefiro colocar aqui um trecho do Ritual de Iniciação de Marcassim que escrevi para a Ordem Druídica Trevo e Azevinho. Nele estão descritos não só os meus motivos, como também as aspirações dos que trilham a Senda Druídica.

"Aquele que ouviu o chamado e diante deste Círculo está presente para iniciar sua jornada na Senda Druídica, três avisos são dados, e que se preste muita atenção a eles! O primeiro aviso é de que não espere nenhuma pompa ou reverência ao teu eu, pois no momento em que atravessar a fronteira que dará início a tua jornada, o teu eu é quem deverá servir ao Clã, aos Antepassados, a Natureza, aos Deuses e ao Incriado, e não ao contrário. Se esperar que aqui seu ego seja envaidecido, desista, pois aqui não é o lugar para isto! Segundo aviso, que lhe seja bem claro que ao atravessar esta fronteira, trilharás um caminho que por muitos já foram pisados, e que muitos ainda pisarão. Serás apenas mais um a fazê-lo, mas tenha em mente que em uma Floresta, uma árvore é apenas uma entre inúmeras árvores, no entanto, ela sempre deixa seus frutos e sementes para gerar as futuras gerações. Se não estiver disposto a se preparar, estudando o que foi deixado pelos que antes de você vieram, e nem deixar seus frutos para os que ainda trilharão esta Jornada, desista, pois este não é o lugar para isto! Terceiro aviso, um Druida é um sacerdote do carvalho. Assim como o Carvalho leva anos e até séculos para atingir seu esplendor, um Druida nunca apressa a sua Jornada, mas somente trabalha diuturnamente para crescer cada vez mais. Nada é estático no Universo, e nada no Universo pode ser apressado sem que sigam as Leis da Natureza. Se queres atingir o topo da montanha , deverá trabalhar duro para isto, sabendo sempre de seus limites e tentando superá-los na medida do possível. Do contrário, sem esforço e nem trabalho, querer atingir o topo da montanha somente ficando sentado aos pés dela, sem fazer nada, não o levará a lugar nenhum. Se pensas que pode atingir o ápice da Jornada em pouco tempo, sem o mínimo esforço, desista, pois este não é o lugar para isto! Agora, se entendeu o que lhe espera na jornada é apenas aquilo que teu trabalho e esforço podem realizar, que não importa o tempo que leve, se houver dedicação o Carvalho crescerá e frutificará, e que a única pompa e glória que irá encontrar na Jornada será a do Dever cumprido, que se dê um passo à frente e que inicie sua Jornada!"

Então, que se dê um passo à frente. 29 dias ainda nos esperam...até lá!

Os 30 dias druídicos...O início (dia 0)

Bem...antes de iniciar as postagens diárias dos meus 30 dias druídicos, prefiro fazer uns esclarecimentos prévios...

1 - Não segui a risca a lista promovida pelo blog do Endovélicon, pois além de eu focar mais a visão do meso-druidismo, preferi seguir o AWEN do momento (como ocorreu, por exemplo, com a postagem dos Três Mundos, que passou para o segundo dia por conta da Inspiração do momento, onde tive de colocar a Cosmologia no terceiro dia...e assim por diante).

2 - Já era para ter escrito estas postagens desde semana passada...mas por problemas técnicos (leia-se falta de internet!hehehe), acabou que escrevi antecipadamente 3 dias...no papel!Como seria complicado colocar as três postagens logo no primeiro dia, irei posta-las um dia após o outro...quem sabe assim, no final do terceiro, os demais já não estejam prontos?!

3 - Como eu disse antes, é uma visão minha a partir do meso-druidismo que eu sigo...pode ser que muita gente não concorde com eles, pode ser que alguns venham me chamar de maluco (bem...depois de escrever o terceiro dia, até eu me acho!kkk)...Críticas e sugestões serão muito bem vindas, e este Druída (que aqui está no papel de bardo) agradece (só não aceito recomendações de psiquiatra!hehe).

Bem...é isto...e não deixem de ler os 30 dias dos demais...EndovéliconBard Kunvelín, o do Druída do Vento,  o do Walonon,  o do Coregnato, e os que forem surgindo ainda!Se me esqueci de algum, por favor, me avisem!Cada postagem deles é uma vivência no caminho druídico...é um aprendizado novo!
No mais, aguardem até amanhã...quando se dará o início de fato dos 30 dias!AWEN