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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

História do Druidismo no Brasil - dia 17


Este post é o maior motivo pelo qual eu resolvi escrever os 30 dias... Quando eu vi as postagens do Endovelicon, e fui informado por ele que não havia necessidade de seguir a risca a lista original, lodo de início visualizei este dia chegando. É um fator de Honra escrevê-lo, até porque irá ser corrigido uma tremenda injustiça que eu vi na época em que os grupos de e-mail do Yahoo eram febre e a única fonte de informação coletiva existente (hoje, temos as redes sociais...). Mais precisamente, em 2004, em um dos grupos que eu participava (alguns meses depois, este grupo foi extinto), a coordenadora do mesmo disse com todas as letras que ela e uma outra pessoa (não direi o nome, pois não sei se ele sabe desta postagem neste grupo, e colocá-lo aqui seria cometer direta ou indiretamente uma injustiça), eram os ÚNICOS representantes do druidismo no Brasil, querendo dizer que era por conta dos dois que o druidismo existia em nossas terras, o que, na hora, achei um tremendo absurdo! Os conhecedores do druidismo brasileiro sabem que a história dos sábios do carvalho em nossas terras não é tão recente como esta pessoa quis promover. E é em virtude desta injustiça, e para honrar os que antes de nós vieram até aqui para plantar os "bosques de carvalho" do druidismo, que escrevo este dia!

Podemos dizer que o druidismo começou a aparecer em terrae brasilis entre final da década de 70, início de 1980. com o senhor Savu Septimus de Morosini, em Maceió. Ele foi o precursor de toda esta história, como representante do Colégio Druídico das Gálias. Antes dele, o máximo que se houvia falar sobre, era em Ordens Iniciáticas, e ainda assim, como referência, e não como estudo aprofundado. Depois da morte dele, na década de 80, o Meso-druidismo Patriarcal (sim, pois ainda há outra parte desta história) brasileiro se articula para formar o Colégio Druídico do Brasil, formado em 1986, pelo Grande Druida Derulug - Lachesis Lustosa de Mello -  e a Grande Druidesa Laura - infelizmente, não sei dizer seu nome druídico... - , mantendo a ligação com o Colégio Druídico das Gálias. Paralelamente, na mesma época surge o Movimento Alternativo Espiritual, braço externo da Sociedade de Estudos Celtas Alohanay, uma Ordem Druídica Matriarcal. Ambas as Ordens, cada uma a sua maneira, divulgou sua linhagem e sua maneira de ver o Grande Carvalho para o Brasil. Após a morte de Lachesis, no entanto, o Colégio Druídico começa a sofrer um declínio, que levou ao seu adormecimento em meados dos anos 2000. Atualmente, os "herdeiros" da linhagem meso-druídica patriarcal no Brasil são a Assembléia da Tradição Druídica do Brasil - ligada ao Colégio Druídico das Gálias e a Ordens Convencionadas Conforme a Tradição dos Druidas (OD/OCCTD) - e o Colégio Internacional de Estudos Celto-Druídicos. Já o Movimento Alternativo Espiritual ainda continua suas atividades, e dele surgiu outra ordem druídica matriarcal (independente do M.A.E), que é a Ordem Druídica Aro de Prata. Ambas no entanto, não possuem formas de afiliação on-line, o que dificulta o contato com estas ordens. 

Ainda falando da da Ordem Druídica Aro de Prata, ela surge no final da década de 1990, no Vale do Paraíba, interior de São paulo, como Núcleo de Estudos Druídicos Aro de Prata. Por volta de 2000-2001, é elevada a categoria de Ordem Druídica, tendo seu nome alterado para o conhecido atualmente. Foi lá que iniciei meus estudos e minha jornada, e não falar sobre esta Ordem seria renegar meu passado, o que seria errado... Mas continuando: Tanto a ODAP quanto o M.A.E seguem uma linha ritualística diferente do meso-druidismo patriarcal, ou mesmo do neo-druidismo, o que me fez ficar um tanto quanto perdido quando me afastei desta ordem em 2000, pois olhava outros ritos, e não encontrava muitos pontos em comum... Somente com o passar dos anos é que percebi que estes pontos eram mais sutis do que se pode imaginar.

Pois bem... Em pleno novo milênio, início dos anos 2000, o Neo-druidismo começa a ganhar força em nosso solo. Começam a surgir representações de Ordens Druídicas europeias, como a BDO, que depois deu lugar a Druidic Network, e também Ordens genuinamente brasileiras, como a saudosa Ordem Druídica do Brasil, cuja filosofia e proposta de propagação do druidismo no Brasil, após o encerramento de suas atividades, fez surgir inúmeras outras Ordens e Nemetons pelo Brasil a fora! Se avaliarmos bem, com a ODB e com a druidic netowrk, no período de seu funcionamento, várias outras Ordens surgiram, inclusive as primeiras manifestações do Reconstrucionismo Celta em nossas terras!

Este é apenas um breve histórico do druidismo em nossas terras... Mas já dá para perceber que o Carvalho apresentou seus frutos por aqui muito antes dos anos 2000, como foi "proclamado" por uma certa pessoa... Acho que é interessante para todos os que iniciam sua jornada no Druidismo, antes de qualquer coisa, buscar saber mais sobre esta história, para poder prosseguir no futuro! Claro que muitas Ordens ficaram faltando, algumas foi porque não consegui dados históricos ou contato com elas... Outras, para que elas mesmas se manifestem, e escrevam sua história (como a Ordem ao qual pertenço atualmente e sou fundador, a Ordem Druídica Trevo e Azevinho, fundada originalmente como Núcleo de Estudos Druídicos Trevo e Azevinho, em 2004, com uma lista de discussão no Yahoo... Tal lista nos dias de hoje encontra-se adormecida, mas seus frutos não, como a própria Ordem e este blog são testemunhas.). A história do Druidismo, no Brasil e no Mundo, é rica, e por isto mesmo deve ser estudada, mesmo que sua linhagem seja diferente das demais, assim, certos erros que vejo na Internet como tentar depressar o histórico do meso-druidismo para a história e doutrina druidas, por exemplo, deixariam de existir. 

AWEN 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

História - dia 16

"Sou um senhor de uma certa idade... Tão antigo, que nem sei ao certo qual seria minha idade verdadeira. Alguns dizem que surgi na Hiperbórea, outros, Atlântida, alguns falam em 6000 ou 10000 anos... Somente sei que a aproximadamente 4700 anos, recebi o nome pelo qual sou conhecido até os dias de hoje! Tudo começou quando RAM (ou RAMA, ou Gwydyon, conforme a fonte que lhe conta este fato... prefiro Gwydyon) vendo seu povo desfalecer de uma Peste que assolou o Vale do Danúbio, sem que as Sacerdotisas conseguissem arrumar outra solução para isto a não ser os sacrifícios humanos, e vendo que nem isto solucionava o problema, sentado aos pés de um frondoso Carvalho, teve a Visão que mudaria a História de seu povo... Recebeu dos Antigos, através do AWEN Divino, o ensinamento de uma poção feita com o Visco do Carvalho, que serviria de remédio para seu povo... Ele assim o fez, colhendo o Visco e preparando-o conforme as orientações que lhe ensinaram, e distribuiu ao povo no dia do Solstício de Inverno. A partir deste dia, todos aqueles que se dispuseram a perpetuar o conhecimento e a sabedoria obtidos naquela Visão aos pés do Carvalho Sagrado, foram chamados como sou conhecido hoje... De Druidas, ou os Sábios do Carvalho!

E de lá para cá, muita coisa aconteceu... As sacerdotisas, perdendo espaço, guerrearam com os partidários de Gwydyon, provocando primeiro uma expansão do povo para outras terras, indo até onde hoje encontra-se a Índia, e depois, o afastamento das sacerdotisas mais radicais para a Ilha de Sene, e as mais moderadas, se juntando ao novo corpo sacerdotal recém formado. Foi um período de grande florescimento e amadurecimento do conhecimento desses sacerdotes e sacerdotisas... A Natureza, sempre um livro aberto para que estivesse disposta a lê-la, foi graciosamente  folheada, e sua sabedoria compartilhada com estes que receberam o meu nome. E assim foi até que o aparato romano comandado por Julius Caesar, com seu ímpeto de conquista e controle, resolveram invadir as localidades onde os povos celtas habitavam, primeiro as Gálias, depois a Bretanha Menor e as ilhas britânicas, até que as tropas romanas invadiram a ilha de Iona, massacrando sacerdotisas e druidas que lá habitavam, acabando oficialmente com aqueles que perpetuavam meu nome... Digo oficialmente, pois muitos conseguiram se esconder, ou fugir para o norte, para as Highlands escocesas, ou para a Irlanda, e lá puderam continuar com os ensinamentos do Sagrado Carvalho, já que, nestes locais, os romanos dificilmente conseguiram entrar.

Mesmo escondidos, ou refugiados, os que receberam meu nome continuaram a compartilhar o conhecimento e a sabedoria do Carvalho com os demais, até que outro fator, também oriundo de Roma, mudou drasticamente nossas vidas.. Uma nova religião se apoderou do Império Romano, e tratou de aniquilar com toda  forma religiosa divergente da deles. E esta doutrina, nem a Muralha de Adriano, que protegeu a todos por séculos, foi capaz de impedir seu progresso. A imposição de uma nova doutrina religiosa ao povo, usando da força em muitos casos, ou da mentira em outros, pois chamaram nossos Deuses de demônios para fazer com que todos se convertessem, fez com que os remanescentes que ajudaram a perpetuar meu nome tomassem algumas atitudes... Alguns adentraram aos monastérios recém construídos onde outrora cultuavam os antigos Deuses, aceitando seus costumes, para que, na calada da noite, no silêncio de suas celas, pudessem continuar com suas práticas e seus ensinamentos... As Ordens Monásticas da nova religião que aceitaram os nossos se beneficiaram disto, pois seu conhecimento era inigualável, é só olhar os Beneditinos, a Ordem de Cister, que depois, através deste ensinamento que conseguiu ser preservado, fez surgir a Ordem dos Templários, e verão que não é mentira o que é relatado! Já outros que não aceitaram se submeter aos ditames da nova religião, coube a eles ou se agruparem nas confrarias bárdicas que começaram a se formar a partir do século IX, viajando errantes de taverna em taverna, propagandeando os ensinamentos de forma velada em canções sobre heróis e cavaleiros, ou se refugiaram em viras isoladas do restante da "civilização", mesmo sabendo que, um dia, a nova religião também chegaria ali!

E assim foi, que meu nome se perpetuou, hora oculto nos monastérios, hora velado nas canções dos bardos, hora escondido em aldeias que ninguém prestava a atenção, na Irlanda, na Ilha de Man, e entre os Celtiberos da Espanha. Meus costumes acabaram, de uma forma ou de outra, sendo assimilados por esta nova religião, minhas festas, idem! E assim foi até final do século XVII, quando igual a Fênix, que ressurge das cinzas, começou-se a falar abertamente sobre mim novamente... Livros como o Barddas de Iolo Morganwg e Ossian de MacPherson fazem com que as pessoas sintam a necessidade de retomar este meu conhecimento que acabou se tornando oculto. Ordens e Confrarias surgem para retomar o meu nome, perpetuar meu conhecimento... Grandes nomes passaram por estas confrarias, ou ao menos assistiram a um de seus rituais. Chefes de Estado e Rainhas... Lá estavam prestigiando, como ocorria outrora! Só que estas Confrarias estavam ainda com os resquícios da assimilação do conhecimento que ocorreu nos monastérios da nova religião... E muitos, sentindo a Força Inspiradora do AWEN Divino, resolveram "purificar" o conhecimento, tentando retirar dele tudo aquilo que era influência da nova religião... O que em alguns casos simplesmente matou o conhecimento, tanto antigo quanto novo, pois já não se sabia o que era de um ou de outro.

E hoje, cá estou, a contar esta história sobre mim, de onde surgi, e onde estou... Espalhei-me como sementes de flores ao vento, adaptei-me ao solo de cada lugar... São inúmeros Carvalhos Sagrados a levar o meu nome, a Verdade em Face ao Mundo, de maneiras diferentes, de formas diferentes... Mas todas, em sua essência, são uma coisa só! Todas estão em mim! Todas são druidismo! Eu sou o Druidismo, e esta é um pouco da minha história!"

AWEN

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Deuses e Espíritos da Natureza - dia 08

Monoteísta, panteísta, politeísta... Qual o Druidismo segue? Esta discussão que permeou alguns dos grandes debates que ocorreram na saudosa e extinta Ordem Druídica do Brasil, também faz parte das temáticas envolvendo as diversas denominações do Druidismo, conforme já disse no dia anterior. Os seguidores do Meso-druidismo geralmente são "monoteístas", enquanto os Neo-druidas e Reconstrucionistas Celtas já são Politeístas ou Panteístas. Devo confessar que, por mais que eu seja partidário do meso-druidismo, para mim torna-se impossível aceitar um Monoteísmo Druídico, pois os festivais sazonais eram feitos em honra principalmente aos Deuses, e não só ao Incriado (um exemplo? O Ritual de Lughnassadh, ou "As Bodas de Lugh"). Mas também não posso dizer que sejamos um Politeísmo simples... Pois aceitamos que na Natureza tudo é sagrado e divinizado. Todos os Deuses são parte de uma Grande Linhagem... E por que não, dizer que Todos os Deuses tenham surgido da mesma matéria primordial que gerou o Universo? Acredito sim em um Politeísmo Panteísta, ou um Panteísmo Politeísta, como assim preferirem. Prefiro acreditar nesta "Ordem Hierárquica dos Deuses", a tentar aceitar um "Monoteísmo Politeísta", como ocorre em outros grupos...

Ao seguir um Panteísmo, aceito que tudo tem uma parcela divina, e em tudo tem uma essência da Divindade. è por isto que, ao entrar em um local sagrado, presta-se reverências aos "Espíritos do local"... Católicos fazem isto inconscientemente, ao entrar em uma igreja e fazer a saudação da genuflexão... Por que não fazer ao entrar em uma mata, em uma floresta, em um bosque ou mesmo no nemeton do lar (digo a saudação, e não a genuflexão!)? Ao olhar muitos rituais de outros grupos, vejo isto ser feito das diversas formas... Seja na Invocação dos Espíritos Beneficentes e Almas Druídicas, Seja na Invocação dos Guardiães dos Quadrantes (sim, é comum principalmente no Druidismo Matriarcal, ao contrário dos que pensam que é "coisa de wiccano"), seja na Saudação dos "Espíritos Forasteiros"... Apesar de não concordar com o termo, pois ao entrarmos em uma Floresta, o "forasteiro" é a gente, e não os Espíritos Guardiães do local!


Os Saxões (e quem estuda dendroterapia magnética, como muitos druidas), preferem chamar estas "Entidades" Guardiãs da natureza local de "Deuses do Local"... É a eles quem prestamos as primeiras homenagens ao entrar no Bosque para fazermos nossos rituais, ou até mesmo para meditarmos, ou nos divertirmos... Ou acham que os druidas não vão em uma cachoeira ou praia para se divertir também? E por que são a Eles nossas primeiras homenagens? Porque é a Eles a quem pedimos a permissão para estar naquele local! Eles são os "donos da casa", e até pela virtude da Hospitalidade, somente seremos bem vindos na casa alheira, se anunciarmos nossa visita, nossas intensões, e pedirmos a permissão para estar ali! Ninguém vai na casa dos outros sem avisar, abre a porta da sala sem pedir licença, entra e usufrui do conforto daquele lar sem pedir autorização. Assim também é no nosso caso com relação aos ambientes naturais, pois ali não é a nossa propriedade, a nossa casa. Ali é o lar de inúmeras espécies de Irmãos e Irmãs dos reinos animal e vegetal. É o local de manifestação e energização de inúmeros elementais (diz as lendas que as fadas se reenergizam nas florestas de coníferas e de pinheiros, inclusive), e é o local onde estes "Deuses da Natureza" , ou "Espíritos Guardiães" habitam!

No panteísmo, tudo É Deus, Tudo faz parte de Deus, tudo é manifestação do Sagrado... Respeitar os locais sagrados é honrar os Deuses. Este texto me fez remeter ao do dia 04, quando falei sobre locais sagrados... Manter o respeito por um local sagrado também é promover uma relação de confiança e amizade para com os Espíritos Guardiães e os Seres Elementais.. pois podem até achar que eles não estejam ali, mas eles existem, independente de sua crença neles! Respeitar para ser respeitado.... Um grande passo na grande Jornada druídica!

AWEN

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Denominações - dia 07

Ontem, em uma conversa com meu "colega de floresta' (sim, pois além de sermos druidas, estamos escrevendo nesta jornada dos 30 dias) o Druida do Vento, e este assunto novamente veio à tona... Existem muitas definições de como exercer o druidismo nos dias de hoje, tantas que acabam brigando entre si para definir qual é a correta, qual é a verdadeira. E como já no meu "dia 0"  deixei claro que a minha abordagem seria mais voltada para o Meso-druidismo do que o Neo-druidismo ou o Reconstrucionismo Celta, acabei me vendo obrigado a explicar para os demais um pouco sobre estas "denominações"... e o por quê sou favorável a acabar com os rótulos e deixar o rio fluir...

Comecemos pelo Meso-druidismo... Ele só já apresenta duas divisões em si mesma: O Druidismo Matriarcal, e o Druidismo Patriarcal ou Patrifocal. Ambas reivindicam para si a ancestralidade do druidismo primitivo, mas tem sua base doutrinaria em textos de Iolo Morgawng, e o "fator histórico" que ocasionou este cisma foi a Guerra do Visco, promovida pelo druida Gwydyon ( ou RAMA, caso sua fonte seja o Ramayana). Tanto que para o Druidismo Matriarcal, estaríamos para lá do ano 6500, enquanto no Druidismo Patriarcal ou Patrifocal, apenas estamos por volta do ano 4600. Aqui no Brasil, existem representantes dessas linhagens, mas isto deixarei para um outro tópico. Ambas tem um foco mais esotérico e ocultista, e bem voltado para a linha mágica... Mas como eu já disse, em ambas (ao menos nas duas ordens que tive o contato) o fator "eu sou verdadeiro, você não" é muito forte.

O Meso-druidismo, por sua vez, não "vê com bons olhos" o Neo-druidismo (e a recíproca também é verdadeira, pelo que percebi em alguns textos). O Meso, por achar que o Neo é um "engodo" ou um "placebo" de druidismo, que só serve para tirar as pessoas do caminho certo (em alguns poucos casos, até pode ser verdade... É no Neo-druidismo que eu vi aberrações como "cursos de introdução druídica" por valores absurdamente caros e por períodos de  um ano no máximo... Mas vi muitos projetos interessantes no Neo-druidismo, de ensino livre de "mensalidades" que acabam afastando os buscadores da senda, e deixando os "abastados financeiramente" e que querem pouco esforço, dominando este "comércio do ensinamento". Nada contra a cobrança para a confecções de materiais...mas nem todos tem o acesso financeiro para isto!). E  por parte do Neo-druidismo, o simples fato de o Meso-druidismo se embasar no Barddas de Iolo Morgawng, entre outros textos, como o Ossian, e estes textos serem considerados fraudulentos por parte dos historiadores. Bem...não entrarei no mérito da questão, mas não estaríamos discutindo druidismo nos dias de hoje se não fossem estes textos. O Neo-druidismo tem uma visão mais "liberal" do ensinamento druídico, tanto é que existem grupos cujo foco é mais cultural, outros, mais mágico, e outros, as duas coisas!

Correndo por fora desta "contenda", ainda temos o "Druidismo Gwyddonaid", que todos chamam de Wicca Gwyddonaid, por conta de uma tradição wiccana de mesmo nome, que surgiu do seio dessa tradição druídica; e o Reconstrucionismo Celta, em suas diferentes vertentes (ibérica, celtibérica, gaulesa, irlandesa, entre outras), com uma abordagem mais "acadêmica" sobre o celticismo.As postagens do Endovelicon e do Bard Kunvelin são nesta linha do Reconstrucionismo celta.

E ao final deste texto, o leitor pode se perguntar... Qual a verdadeira?!Onde está a verdadeira fonte de conhecimento druídico?! A minha resposta... Nenhuma delas é verdadeira e todas o são! Qualquer linha que diga "eu sou a verdade sobre o druidismo" ou " o único druidismo existente de verdade sou eu" está mentindo... Mentindo inclusive para si mesma, pois a verdade é um prisma multifacetado, onde observá-lo por completo é uma tarefa impossível... Mas todas o são, pois enxergam detalhes sobre o druidismo que será impossível para a outra linha enxergar, simplesmente porque cada linha tem apenas UMA visão do grande prisma que é o druidismo... Eu sigo uma linha voltada para o meso-druidismo, mas jamais esqueço desta máxima, e sempre dialogo, tento aprender, com as demais linhagens... Assim, posso não obter toda a verdade, mas chegarei próximo dela!

AWEN