segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Oráculos - dia 20

Achei que estava faltando algo sobre os caminhos do Ovate, já que tudo o que foi falado referente a estes 30 dias druídicos acabou sendo mais voltado ao aspecto filosófico do druidismo, e consequentemente, mais voltado aos Bardos. Mas não vou ficar citando diferentes formas de oráculos utilizados pelos celtas (mesmo que eu queira fazê-lo, isto seria material para um livro, e não para uma matéria de blog!). Ao invés disto, prefiro ir a origem de todos os métodos oraculares, a essência encontrada em toda existência e que, sem ela, os sistemas oraculares, independente de qual for, seriam inúteis!

Estou falando da Intuição. Sem ela, nada em relação aos oráculos seria possível. Por quê?! Peguemos por exemplo o tarô, o mais conhecido meio oracular da humanidade. Um apanhado de gravuras que ocultam um significado em seus signos. Mas mesmo que estudemos a fundo, consigamos interpretar cada figura em seu aspecto singular, apenas estaremos interpretando os ensinamentos iniciáticos deste mecanismo, e não seu aspecto oracular. Para  chegarmos a parte oracular, não basta saber o significado oculto e iniciático de cada arcano, pois muitas vezes este conhecimento somente irá confundir o leitor do oráculo, o vidente. Cabe acima de tudo desconstruir o intelecto e as informações pré-concebidas de estudos anteriores, e partir para a intuição pura e simples... "Sei que o arcano x significa y, mas o que isto significa em uma situação z?", é esta a questão a ser levantada pelo vidente em toda consulta, e não só no tarô, mas em todos os métodos oraculares. 

Os métodos são apenas instrumento, uma ferramenta de auxílio para que o vidente possa entrar em contato com os aspectos mais sutis de sua intuição, e através dela, buscar os presságios que são solicitados. É por isto que há momentos em que "o oráculo não abre", pois o vidente em questão não consegue entrar em contato com sua intuição para atingir o significado daquele presságio. Isto é ruim? Depende da situação... Pode ser que a pessoa para qual estava destinada o presságio simplesmente não queira ouvir a resposta, e isto é mais comum do que se imagina! Jamais queremos ouvir que fulano não nos ama, ou que está sendo traído, etc. Muitas vezes, a resposta é tão dura, que a pessoa não está preparada para ouvir, e isto com certeza atrapalha todo o processo de vidência, já que lidamos com a intuição, e a ela é difícil de enganar... Sabemos de antemão quando a pessoa não está disposta a ouvir os conselhos do oráculo (sim, pois antes de ser uma mera adivinhação do futuro, é acima de tudo um aconselhamento sobre o que se deve ou não fazer), e isto, mesmo sendo oriundo de nosso inconsciente, bloqueia nossos canais de contato com a nossa fonte intuitiva.

O que fazer em uma situação dessas!? Nada! Apenas continuar estudando os mistérios de cada sistema oracular, e aliar a isto a um exercício diário de fortalecimento de sua intuição... Mas sempre sabendo, porém, que um dia nenhum contato conseguirá ser feito. E sabendo disto, tentar conhecer os motivos pelo qual as portas da intuição estavam fechadas naquele momento, para aprender com a intuição esta lição básica.

AWEN 

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Cotidiano - dia 19

Já foi falado que o druidismo não encontrou terreno fértil em solo brasileiro. Já ví um arquidruida exigir que o governo britânico devolvesse as pedras de stonehenge para o País de Gales, pois elas tinham vindo de lá. Já ouví uma druidesa falar que era proibido aos druidas comerem carne de porco, pois o javali era o animal da Deusa... Já ouvi coisas realmente absurdas quando se trata de druidismo, ditas por "grandes nomes" ou "druidas hierarquizados", e por conta disto, muitas vezes as pessoas se decepcionam e param sua jornada devido a estas e outras idiossincrasias do gênero. As pessoas muitas vezes esquecem-se de que por baixo de todos os títulos hierárquicos, debaixo do manto branco, encontra-se apenas um ser humano, com todos os defeitos e imperfeições inerentes a raça humana! Divinizam aqueles que estão ali para conduzir aos Deuses, como se estes também o fossem, e quando a verdade se mostra cruel diante de seus olhos, destruindo as ilusões ao primeiro sinal de falha humana, as pessoas perdem seu rumo!

O contrário também acontece, por sinal... Quantas vezes eu li as pessoas atacando X ou Y por este colocar no site de seus respectivos grupos que ele era um arquidruida, ou um grande druida, falando que estes se auto-intitulam coisas que não são!? Se esquecem que entre os celtas, a titulação de grande druida ou arquidruida, não era universal, e sim relativo a cada tribo ou região! E nos dias de hoje, temos inúmeras "tribos druídicas" espalhadas pelo mundo afora... Muitas com diferenças gritantes entre si, devida a diversidade cultural e de linhagem a ser seguida... Querer universalidade de titulação em um caso desses é exigir demais de uma cultura religiosa que nunca conseguiu uma unidade nem mesmo entre as tribos! Conheço muitos fundadores de grupos druídicos que são mais capacitados  do que muitos "grandes nomes" idolatrados por aí, mas por conta de "serem fundadores" de um grupo totalmente diferente destes grandes nomes, são marginalizados pelos demais. O povo esquece-se porém, que o conhecimento está ai, a séculos, disponível a todos... Esquecem que titulação é apenas para manter uma estrutura pro forma, não algo que deva ser cultuado como se a pessoa que ali estivesse se tornasse um Deus ao ser entronado arquidruida ou grande druida... É claro que a titulação traz poder e também responsabilidade, e muitos dos meus colegas que sofrem acusações de que se "auto-intitularam" por ego, trabalham constantemente para que o nome do druidismo seja mantido e divulgado, sem se importar se vão chamá-lo de engodo, de louco, de insano ou de "poço de ego", pois para eles, um dia eles deixarão de existir, mas o druidismo e a semente plantada por eles irá permanecer por gerações. O trabalho de cada um é diário, incessante... E lógico, passível de falhas e erros, pois não é uma obra divina, e sim algo feito por mãos humanas. 

Por isto, algo que se deve ter em mente nesta jornada.... Muitas vezes erramos, e não é por causa de um título hierárquico que não iremos mais errar... Muitas vezes teremos "auto-intitulações" que se mostram mais eficazes do que muitas entornações oriundas sabe-se lá de onde, pois muitas vezes estes que sofrem ofensas falando-se que ele está movido pelo ego, está mais disposto a lutar por um ideal do que aquele "grande nome" que haje de acordo com seus interesses, e que se as coisas não saem do jeito que querem, vão embora falando que "o solo é ruim, e a semente não crescerá"... Mas a jornada, esta é única e exclusivamente sua! A responsabilidade  sobre ela é de você, e de mais ninguém! Então pare de cultuar os que te guiam, pois não são eles que merecem teu culto! Ao invés disto, preste mais atenção ao teu interior, a Fonte de Inspiração que a todos nós assiste... Garanto que ela jamais lhe decepcionará!
AWEN

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Visões de Mundo - dia 18

Depois do dia da história e da história do druidismo no Brasil, chegou o dia que fecha o ciclo... O que tudo isto nos leva a pensar e a agir, em nossa própria fé, em nossa vivência espiritual? Logo após a minha postagem sobre a história do druidismo no Brasil, me deparei com esta questão, que tem a ver também com as diversas linhagens druídicas existentes. Cada uma ao seu modo, mostra uma visão de mundo diferenciada e ao mesmo tempo, complementar. Só que ainda vemos radicalismos em vários setores, que precisam ser podados, pois isto não trará benefícios a nenhuma das partes envolvidas. Então, vamos por partes, desconstruindo os pré-conceitos...

  1. O Radicalismo Histórico: Quando o meso-druidismo surgiu, falar que stonehenge foi construída pelos celtas, colocar que o druidismo era um "monoteísmo disfarçado" entre outras coisas, não só era normal, como historicamente aceito por todos! Somente nos dias atuais é que as coisas mudaram, as teorias históricas evoluíram (ou não...alguns historiadores parecem que apenas aceitam a versão romana dos fatos), o mundo mudou.... Mas o Meso-druidismo continua com os mesmos pensamentos. Eles estariam errados? Creio eu que não, pois é uma visão diferenciada de mundo, onde na época do surgimento deles, era aceitável. Se a cada mudança de visão histórica, toda uma doutrina teológica tiver de ser mudada, logo não estaremos mais discutindo druidismo, pois ele deixará de existir. Como disse Marx e Engels no Manifesto do Partido Comunista, "tudo o que é sólido, desmancha no ar", e é isto que vemos na história acadêmica dos dias de hoje. A desconstrução feita agora, do que se achava verdadeiro no passado, amanhã ou depois será feita com as idéias que achamos verdadeiras hoje. É assim com as ciências, em especial as humanas. Querer uma visão restritamente histórica do druidismo, sem estar aberto a ao menos respeitar as visões oriundas do passado é tão errado quanto o radicalismo dos antigos meso-druidas de não aceitarem o neo-druidismo e o Reconstrucionismo Celta.Acho que ambos tem muito que aprender um com o outro, e AMBOS são celtas em sua essência, e é isto que deveria importar!
  2. O Radicalismo étnico-folclórico: Aqui, estou me referindo a aquela velha história de "Isto é celta, isto não é!" que vemos quase que diariamente em muitos sites e grupos de druidismo e reconstrucionismo celta.... Criticam orações belíssimas, só pelo fato dela não ter palavras e metrias usualmente coloquiais para os celtas antigos. O engraçado, é que todos se esquecem que tem telhado de vidro, e que, em algum momento, aquele ritual que se faz diariamente, pode também ser desconsiderado como celta! Lembro-me de um debate sobre Beltaine na lista de discussão da Ordem Druídica do Brasil, onde se disse que o Maypole não era celta (e de fato, não é mesmo, é próprio da cultura finlandesa e saxã). Bem... muitas Ordens Druídicas usam o Maypole em seus rituais, e por conta disto, estes deixaram de ser celtas?! Tem grupos druídicos que usam vassouras em alguns ritos (eu particularmente, a uso para a limpeza do meu local sagrado, mas gosto - e conheço grupos - que a usam como limitadores dimensionais, quase como a Wicca o faz)... E eles não são mais ou menos druídicos do que os outros por conta disto! Tem muitos livros excelentes de magia celta, que foram escritos para wiccanos... E por isto eu não posso usá-los, por ser livro wicca, e portanto, celta!? Quantos druidas que eu conheço que tem um baralho de tarô em seu "kit oracular" e o usa em seus rituais!? E o tarô, é celta?! O radicalismo de não se abrir para ideias novas não condiz com um sacerdote da natureza... Natureza esta em constante mutação. Posso não gostar de determinadas ideias, de determinados termos e usos para objetos ritualísticos... Mas jamais devo deixar de ter a mente aberta para aprender com estes, pois em algum momento, aquele ensinamento me será útil, de uma forma ou de outra.
  3. O Radicalismo grupal: este acho que é o pior de todos... A história de que "meu grupo é verdadeiro, os outros não" é a pior coisa que pode existir no druidismo. Quantas coisas deixamos de aprender com o outro por conta disto?! Quantas coisas já ocorreram de errado, por justamente não haver união em nosso meio!? As pessoas se esquecem que o druidismo é um carvalho com vários galhos, e não uma touceira de bambus, se bem que os bambus são mais flexíveis do que muita gente no seio do druidismo... Estamos em uma era onde a União faz a força e traz o reconhecimento devido, como ocorreu com a Druidic Network na Inglaterra,  que "agremiou" outras ordens druídicas em um corpo jurídico único, e lutou por seus direitos, até conseguir a maior vitória de todas, que foi o reconhecimento como religião na Inglaterra. E nós, vamos continuar brigando por pouca coisa?! Ou vamos  "arregaçar as mangas" e nos unirmos para lutar pela nossa fé?!
Acho que o radicalismo cega. Devemos sim manter nossas tradições e costumes, mas sem perder de vista que a visão do outro é diferente da minha, e por isto, eu posso aprender muito com ela, mesmo que seja só pelo simples fato dela estar ali! Deixemos de lado as "viseiras de cavalo" do academicismo que impera em alguns setores, pois nenhum destes academicismos irá lhe revelar a sutil sabedoria adquirida ao se meditar aos pés de uma árvore frondosa. Deixemos de lado também as vendas que nos impedem de ver o novo... mesmo que o novo não seja assim tão novo! Temos duas escolhas de Visão de mundo... Escolhamos a que mais benefícios trarão para as futuras gerações!



AWEN




terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

História do Druidismo no Brasil - dia 17


Este post é o maior motivo pelo qual eu resolvi escrever os 30 dias... Quando eu vi as postagens do Endovelicon, e fui informado por ele que não havia necessidade de seguir a risca a lista original, lodo de início visualizei este dia chegando. É um fator de Honra escrevê-lo, até porque irá ser corrigido uma tremenda injustiça que eu vi na época em que os grupos de e-mail do Yahoo eram febre e a única fonte de informação coletiva existente (hoje, temos as redes sociais...). Mais precisamente, em 2004, em um dos grupos que eu participava (alguns meses depois, este grupo foi extinto), a coordenadora do mesmo disse com todas as letras que ela e uma outra pessoa (não direi o nome, pois não sei se ele sabe desta postagem neste grupo, e colocá-lo aqui seria cometer direta ou indiretamente uma injustiça), eram os ÚNICOS representantes do druidismo no Brasil, querendo dizer que era por conta dos dois que o druidismo existia em nossas terras, o que, na hora, achei um tremendo absurdo! Os conhecedores do druidismo brasileiro sabem que a história dos sábios do carvalho em nossas terras não é tão recente como esta pessoa quis promover. E é em virtude desta injustiça, e para honrar os que antes de nós vieram até aqui para plantar os "bosques de carvalho" do druidismo, que escrevo este dia!

Podemos dizer que o druidismo começou a aparecer em terrae brasilis entre final da década de 70, início de 1980. com o senhor Savu Septimus de Morosini, em Maceió. Ele foi o precursor de toda esta história, como representante do Colégio Druídico das Gálias. Antes dele, o máximo que se houvia falar sobre, era em Ordens Iniciáticas, e ainda assim, como referência, e não como estudo aprofundado. Depois da morte dele, na década de 80, o Meso-druidismo Patriarcal (sim, pois ainda há outra parte desta história) brasileiro se articula para formar o Colégio Druídico do Brasil, formado em 1986, pelo Grande Druida Derulug - Lachesis Lustosa de Mello -  e a Grande Druidesa Laura - infelizmente, não sei dizer seu nome druídico... - , mantendo a ligação com o Colégio Druídico das Gálias. Paralelamente, na mesma época surge o Movimento Alternativo Espiritual, braço externo da Sociedade de Estudos Celtas Alohanay, uma Ordem Druídica Matriarcal. Ambas as Ordens, cada uma a sua maneira, divulgou sua linhagem e sua maneira de ver o Grande Carvalho para o Brasil. Após a morte de Lachesis, no entanto, o Colégio Druídico começa a sofrer um declínio, que levou ao seu adormecimento em meados dos anos 2000. Atualmente, os "herdeiros" da linhagem meso-druídica patriarcal no Brasil são a Assembléia da Tradição Druídica do Brasil - ligada ao Colégio Druídico das Gálias e a Ordens Convencionadas Conforme a Tradição dos Druidas (OD/OCCTD) - e o Colégio Internacional de Estudos Celto-Druídicos. Já o Movimento Alternativo Espiritual ainda continua suas atividades, e dele surgiu outra ordem druídica matriarcal (independente do M.A.E), que é a Ordem Druídica Aro de Prata. Ambas no entanto, não possuem formas de afiliação on-line, o que dificulta o contato com estas ordens. 

Ainda falando da da Ordem Druídica Aro de Prata, ela surge no final da década de 1990, no Vale do Paraíba, interior de São paulo, como Núcleo de Estudos Druídicos Aro de Prata. Por volta de 2000-2001, é elevada a categoria de Ordem Druídica, tendo seu nome alterado para o conhecido atualmente. Foi lá que iniciei meus estudos e minha jornada, e não falar sobre esta Ordem seria renegar meu passado, o que seria errado... Mas continuando: Tanto a ODAP quanto o M.A.E seguem uma linha ritualística diferente do meso-druidismo patriarcal, ou mesmo do neo-druidismo, o que me fez ficar um tanto quanto perdido quando me afastei desta ordem em 2000, pois olhava outros ritos, e não encontrava muitos pontos em comum... Somente com o passar dos anos é que percebi que estes pontos eram mais sutis do que se pode imaginar.

Pois bem... Em pleno novo milênio, início dos anos 2000, o Neo-druidismo começa a ganhar força em nosso solo. Começam a surgir representações de Ordens Druídicas europeias, como a BDO, que depois deu lugar a Druidic Network, e também Ordens genuinamente brasileiras, como a saudosa Ordem Druídica do Brasil, cuja filosofia e proposta de propagação do druidismo no Brasil, após o encerramento de suas atividades, fez surgir inúmeras outras Ordens e Nemetons pelo Brasil a fora! Se avaliarmos bem, com a ODB e com a druidic netowrk, no período de seu funcionamento, várias outras Ordens surgiram, inclusive as primeiras manifestações do Reconstrucionismo Celta em nossas terras!

Este é apenas um breve histórico do druidismo em nossas terras... Mas já dá para perceber que o Carvalho apresentou seus frutos por aqui muito antes dos anos 2000, como foi "proclamado" por uma certa pessoa... Acho que é interessante para todos os que iniciam sua jornada no Druidismo, antes de qualquer coisa, buscar saber mais sobre esta história, para poder prosseguir no futuro! Claro que muitas Ordens ficaram faltando, algumas foi porque não consegui dados históricos ou contato com elas... Outras, para que elas mesmas se manifestem, e escrevam sua história (como a Ordem ao qual pertenço atualmente e sou fundador, a Ordem Druídica Trevo e Azevinho, fundada originalmente como Núcleo de Estudos Druídicos Trevo e Azevinho, em 2004, com uma lista de discussão no Yahoo... Tal lista nos dias de hoje encontra-se adormecida, mas seus frutos não, como a própria Ordem e este blog são testemunhas.). A história do Druidismo, no Brasil e no Mundo, é rica, e por isto mesmo deve ser estudada, mesmo que sua linhagem seja diferente das demais, assim, certos erros que vejo na Internet como tentar depressar o histórico do meso-druidismo para a história e doutrina druidas, por exemplo, deixariam de existir. 

AWEN 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

História - dia 16

"Sou um senhor de uma certa idade... Tão antigo, que nem sei ao certo qual seria minha idade verdadeira. Alguns dizem que surgi na Hiperbórea, outros, Atlântida, alguns falam em 6000 ou 10000 anos... Somente sei que a aproximadamente 4700 anos, recebi o nome pelo qual sou conhecido até os dias de hoje! Tudo começou quando RAM (ou RAMA, ou Gwydyon, conforme a fonte que lhe conta este fato... prefiro Gwydyon) vendo seu povo desfalecer de uma Peste que assolou o Vale do Danúbio, sem que as Sacerdotisas conseguissem arrumar outra solução para isto a não ser os sacrifícios humanos, e vendo que nem isto solucionava o problema, sentado aos pés de um frondoso Carvalho, teve a Visão que mudaria a História de seu povo... Recebeu dos Antigos, através do AWEN Divino, o ensinamento de uma poção feita com o Visco do Carvalho, que serviria de remédio para seu povo... Ele assim o fez, colhendo o Visco e preparando-o conforme as orientações que lhe ensinaram, e distribuiu ao povo no dia do Solstício de Inverno. A partir deste dia, todos aqueles que se dispuseram a perpetuar o conhecimento e a sabedoria obtidos naquela Visão aos pés do Carvalho Sagrado, foram chamados como sou conhecido hoje... De Druidas, ou os Sábios do Carvalho!

E de lá para cá, muita coisa aconteceu... As sacerdotisas, perdendo espaço, guerrearam com os partidários de Gwydyon, provocando primeiro uma expansão do povo para outras terras, indo até onde hoje encontra-se a Índia, e depois, o afastamento das sacerdotisas mais radicais para a Ilha de Sene, e as mais moderadas, se juntando ao novo corpo sacerdotal recém formado. Foi um período de grande florescimento e amadurecimento do conhecimento desses sacerdotes e sacerdotisas... A Natureza, sempre um livro aberto para que estivesse disposta a lê-la, foi graciosamente  folheada, e sua sabedoria compartilhada com estes que receberam o meu nome. E assim foi até que o aparato romano comandado por Julius Caesar, com seu ímpeto de conquista e controle, resolveram invadir as localidades onde os povos celtas habitavam, primeiro as Gálias, depois a Bretanha Menor e as ilhas britânicas, até que as tropas romanas invadiram a ilha de Iona, massacrando sacerdotisas e druidas que lá habitavam, acabando oficialmente com aqueles que perpetuavam meu nome... Digo oficialmente, pois muitos conseguiram se esconder, ou fugir para o norte, para as Highlands escocesas, ou para a Irlanda, e lá puderam continuar com os ensinamentos do Sagrado Carvalho, já que, nestes locais, os romanos dificilmente conseguiram entrar.

Mesmo escondidos, ou refugiados, os que receberam meu nome continuaram a compartilhar o conhecimento e a sabedoria do Carvalho com os demais, até que outro fator, também oriundo de Roma, mudou drasticamente nossas vidas.. Uma nova religião se apoderou do Império Romano, e tratou de aniquilar com toda  forma religiosa divergente da deles. E esta doutrina, nem a Muralha de Adriano, que protegeu a todos por séculos, foi capaz de impedir seu progresso. A imposição de uma nova doutrina religiosa ao povo, usando da força em muitos casos, ou da mentira em outros, pois chamaram nossos Deuses de demônios para fazer com que todos se convertessem, fez com que os remanescentes que ajudaram a perpetuar meu nome tomassem algumas atitudes... Alguns adentraram aos monastérios recém construídos onde outrora cultuavam os antigos Deuses, aceitando seus costumes, para que, na calada da noite, no silêncio de suas celas, pudessem continuar com suas práticas e seus ensinamentos... As Ordens Monásticas da nova religião que aceitaram os nossos se beneficiaram disto, pois seu conhecimento era inigualável, é só olhar os Beneditinos, a Ordem de Cister, que depois, através deste ensinamento que conseguiu ser preservado, fez surgir a Ordem dos Templários, e verão que não é mentira o que é relatado! Já outros que não aceitaram se submeter aos ditames da nova religião, coube a eles ou se agruparem nas confrarias bárdicas que começaram a se formar a partir do século IX, viajando errantes de taverna em taverna, propagandeando os ensinamentos de forma velada em canções sobre heróis e cavaleiros, ou se refugiaram em viras isoladas do restante da "civilização", mesmo sabendo que, um dia, a nova religião também chegaria ali!

E assim foi, que meu nome se perpetuou, hora oculto nos monastérios, hora velado nas canções dos bardos, hora escondido em aldeias que ninguém prestava a atenção, na Irlanda, na Ilha de Man, e entre os Celtiberos da Espanha. Meus costumes acabaram, de uma forma ou de outra, sendo assimilados por esta nova religião, minhas festas, idem! E assim foi até final do século XVII, quando igual a Fênix, que ressurge das cinzas, começou-se a falar abertamente sobre mim novamente... Livros como o Barddas de Iolo Morganwg e Ossian de MacPherson fazem com que as pessoas sintam a necessidade de retomar este meu conhecimento que acabou se tornando oculto. Ordens e Confrarias surgem para retomar o meu nome, perpetuar meu conhecimento... Grandes nomes passaram por estas confrarias, ou ao menos assistiram a um de seus rituais. Chefes de Estado e Rainhas... Lá estavam prestigiando, como ocorria outrora! Só que estas Confrarias estavam ainda com os resquícios da assimilação do conhecimento que ocorreu nos monastérios da nova religião... E muitos, sentindo a Força Inspiradora do AWEN Divino, resolveram "purificar" o conhecimento, tentando retirar dele tudo aquilo que era influência da nova religião... O que em alguns casos simplesmente matou o conhecimento, tanto antigo quanto novo, pois já não se sabia o que era de um ou de outro.

E hoje, cá estou, a contar esta história sobre mim, de onde surgi, e onde estou... Espalhei-me como sementes de flores ao vento, adaptei-me ao solo de cada lugar... São inúmeros Carvalhos Sagrados a levar o meu nome, a Verdade em Face ao Mundo, de maneiras diferentes, de formas diferentes... Mas todas, em sua essência, são uma coisa só! Todas estão em mim! Todas são druidismo! Eu sou o Druidismo, e esta é um pouco da minha história!"

AWEN

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Meditação e Distrações - dia 15

Marcassim - Druida! Druida! Acorde! Vamos!

Druida - Mas estou acordado, meu jovem! Por que acha que estava dormindo?

Marcassim - É que o senhor está quieto a três dias... O senhor nada falou depois do 14º dia! E ainda faltam uns quinze dias para encerrar a jornada... Mas com este atraso... O senhor não estava dormindo... Estava meditando?!

Druida - Ora! Primeiro, não estamos atrasados, meu jovem... O rio flui conforme a sua Natureza, e eu também! E em segundo lugar, meditar é algo diferente do que estou fazendo! Meditar é o ato de esvaziar a mente, deixá-la limpa de pensamentos adversos, para que possa receber as Emanações do Incriado. O que estava fazendo era simplesmente admirar a Natureza ao meu redor, inspirando-me com tamanha beleza...

Marcassim - (Aos gritos) Mas por três dias?!?!?!

Druida - (Ainda calmo) Sim! A beleza dessa paisagem é tão revigorante e inspiradora, que tinha que admirá-la, e quem sabe, assim, aprender ainda mais sobre ela... Deveria ter feito o mesmo, e não ter se preocupado como tempo que levaremos para chegarmos ao nosso destino!

Marcassim - (Um pouco mais calmo) Mas druida, outros estão lhe esperando! Enquanto o senhor se distraía com a paisagem, muitos estavam ansiosos por conhecimento! Por favor, venha e não se distraia mais!

Druida - Ansiosos!? Meu jovem marcassim, o conhecimento verdadeiro é oriundo da Inspiração e das Emanações do Incriado! Se não conseguiram enxergar esta Verdade, se não conseguiram ir direto à fonte de Toda a Inspiração, como é que eu irei mostrar o conhecimento  verdadeiro!? Isto sim é se distrair, e não o que eu estava fazendo!

Marcassim - Druida, fiquei sem entender... Poderia me explicar?!

Druida - Mas é claro! As pessoas pensam que distrações são coisas que lhe tiram do rumo, e de fato isto é verdadeiro. Mas se esquecem que o nosso rumo é de aprender e evoluir, e não o de acumular e consumir! Esta é a primeira grande distração, a que ilude as pessoas sobre qual o objetivo verdadeiro, enganando-as e tirando-as do rumo traçado para tirá-las do círculo de encarnações de Abred, e levá-las a Gwenwed! Vemos a cada dia o Ter ganhar mais importância do que o Ser, e isto desvia do conhecimento verdadeiro, pois aprende-se a TER, e não a SER.

Marcassim - Druida, interessante! Existem outras distrações além desta?!

Druida - Claro! Inúmeras outras! Tantas que, se fossemos discorrer sobre cada uma delas, levaríamos a Eternidade para fazê-lo, e talvez não fosse suficiente! Mas uma outra que merece nossa  atenção, meu jovem, são os objetos que servem para marcar o tempo...

Marcassim - Hã?!

Druida - Sim! E a prova disto é você mesmo! Ou não chegou até aqui neste menir, onde estou encostado, desesperado por "eu estar atrasado em três dias" na minha jornada!? Os Homens inventaram os mecanismos de marcação do Tempo - como este menir onde estou encostado, que serve de gnomôn, a ampulheta, o relógio, o calendário, entre outros - para auxiliá-los em seus afazeres, no entanto, tornaram-se escravos desses objetos, e esqueceram do que é mais importante... A própria vida! Quantos nascer e pôr-do-sol as pessoas perdem, por "estarem atrasadas", "terem um compromisso a tal hora"!? Quantos aprendizados a Natureza nos dá diariamente, mas é jogado fora  pois não paramos para simplesmente ouvir este ensinamento! As pessoas ficam tão ansiosas por estarem escravas do tempo, que se esquecem a lição que a Natureza lhes ensina, que é a de aproveitar ao máximo o aqui e agora! O Sol nasce e morre todos os dias, mas ele não se preocupa  com o dia de amanhã, e sim com o momento de agora, de Iluminar a Terra agora! O mundo seria mais amistoso se as pessoas soubessem ouvir a Fonte de Inspiração Verdadeira, e não o que diz o relógio, a ampulheta, o calendário... Isto sim é se desviar do caminho correto, é se distrair, e não o que estava fazendo!

Marcassim - Druida... acho que entendi! Poderia falar mais!?

Druida - Sente-se naquele outro menir, e deixe que a Natureza lhe ensine, e não eu! Limpe sua mente daquilo que lhe impede de aprender da Fonte, medite... E aproveite a paisagem, pois ela é bela!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Inspiração - dia 14

Quase chegando a metade desta jornada,paremos por um instante, olhemos a paisagem, o cenário ao nosso redor (não é um exercício de imaginação... é para olhar MESMO para o mundo a tua volta!). Garanto que muitos vão falar "nossa! Quanto concreto!"ou "Que bagunça!" ou ainda "Este cara é louco! Quero ler sobre druidismo, e não ficar olhando a minha sala!"

Mas estamos falando de druidismo, mais precisamente de Inspiração... E ela, meus caros, quase nunca vem quando planejamos, e sim quando ela quer! Quando estava escrevendo sobre os Ancestrais, a minha ideia original jamais seria um poema, pois não sou muito fã dos meus... Queria um texto explicando sobre o por quê honrar os ancestrais, mas de forma alguma este referido texto saía a contento. Deletei muitas linhas, pois nunca chegava ao que queria escrever de fato! Até que, em uma das inúmeras tentativas, as frases saíram rimadas... O tempo estava contra, pois tinha de postar antes da meia-noite, e nada do que escrevia saía bom o bastante... menos aquelas frases rimadas! Tentei ainda uma ultima tentativa, sem sucesso... Vi que os Antepassados não queriam explicações, queriam uma Homenagem Bárdica! Rendi-me ao devaneio dos poetas, e lá estou a escrever aquele poema, que para mim foi um "parto" de tão difícil.

Assim é também com todos.. Muitos que estão nesta jornada (só não falo todos, pois senão seria generalizar!) dos 30 dias druídicos (caso queira saber quem, é só olhar a lista ao lado) devem com certeza passar por isto em um tema ou outro (ou em todos!). Comigo, já aconteceu de  ter de alterar a listagem dos temas, mudar os tópicos, acrescentar outros, pois em muitos casos, o tema proposto para o dia simplesmente não aguçava os "sentidos do bardo" (qualquer semelhança com os "sentidos de aranha do Peter Paker não é mera coincidência!). Em outros tópicos, foi tão difícil de escrever, que a Inspiração teve de vir a Fórceps, já em outros, foi um desabrochar de uma flor... Isto mostra que na vida, muitas vezes, a inspiração não virá da maneira que nós queremos, e sim, da maneira como ela deve vir!

Ai o meu caro leitor se pergunta... "Está bem... mas o que tem a ver isto que você está falando, com o que falou no primeiro parágrafo?!". Meus caros... Olhem ao redor! Nada é tão cinza, que você não encontre algum ponto de cor! Nada é tão bagunçado, que você não encontre algo que possa vir a agradá-lo! Nem todo concreto pode sufocar a vista de uma árvore ou de uma montanha da perspectiva de sua janela... e mesmo que não veja, ela está lá! Esforce-se para ver! Assim é com a Inspiração... Ela não vai se apresentar para você da maneira como você deseja, e sim como ela quer ser retratada! Esforce-se para percebê-la, pois ela está lá, em meio ao concreto, ao cinza, a bagunça do seu quarto... Ela está dentro de você.... Esperando para se manifestar! Deixe fluir! Garanto que irá se surpreender!



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Elementos - dia 13

Falamos de Magia, Roda do Ano, Rituais, e para colocar um pouco mais de "tempero" a este papo, falaremos agora sobre os Elementos, um dos muitos frutos do druidismo que estão inseridos nos ensinamentos da Magia Cerimonial, da Teurgia, da Alquimia e de tantas outras Escolas Iniciáticas. Seguir o caminho mágico druídico e negligenciar tal conhecimento, é negar toda a Magia existente. Então, como não há escapatória, falemos sobre eles então.

Existem 2 formas de se encarar os Elementos na Doutrina Druídica... A dos Elementos formadores da Natureza, e a dos Elementos formadores do Homem, ou do Corpo Humano. O Primeiro é dividido em 5 Elementos básicos e essenciais (colocarei aqui também suas relicárias, como forma de facilitar o estudo): Terra - Calas - Prato (ou escudo) ; Água - Gwyar - Cálice (ou elmo); Fogo - Uvel - Cajado/varinha (ou lança); Ar - Fun - Espada/punhal; e  finalmente, o quinto elemento, que na Alquimia seria o Éter, mas entre os Druidas, é denominado de Nwyre, a junção de todos os elementos, a Mônada divina, cujo símbolo ou relicário é o Caldeirão. A dos Elementos formadores do Homem, seriam 8, segundo o Barddas, a saber: A Terra, ou a Carne; a Água, ou o Sangue; o Ar, ou a Respiração; a Rocha, ou os Ossos; o Sal, ou os Nervos e Sentimentos; O Fogo, ou o Calor do corpo, o Impulso, a agitação; A verdade, ou a Mente, seu entendimento e discernimento; e finalmente a Alma, ou a Partícula divina que existe em todos os seres. Nos concentremos primeiramente nos Elementos Naturais.

Calas, a Terra, símbolo da estabilidade, da solidez que nos permite caminhar e seguir em frente. Sem o Elemento Terra, nada é concreto, nada é estável, sem que este elemento esteja envolvido... É o elemento da CONCRETIZAÇÃO e SUSTENTAÇÃO. Gwyar, a Água, a fluidez e a maleabilidade, é o contato com o "Outro mundo", com nosso Inconsciente, nossos sentimentos, se pensarmos na analogia dos Três Reinos. São nossos fluídos, nosso sangue, é a fertilidade, a maternidade. É o elemento da EMOÇÃO e INTUIÇÃO. Uvel, o Fogo, o calor que nos mantém vivos e ativos. É a agitação, o movimento (é só colocar um pouco de água no fogo, e verão que ela se agitará, borbulhará e evaporará devido ao movimento gerado pelo calor). Sem o calor, nada seria gerado, tudo seria estático (uma alusão a Cosmologia, se o Universo parar de se mover, entrará em colapso, deixará de existir, ou em termos druídicos, entrará em Ankou.). É o elemento da REALIZAÇÃO e da TRANSFORMAÇÃO, tendo em vista que o fogo mantém e destrói a vida, mudando a sua matéria. Fun, o Ar que respiramos, elemento que mantém o Fogo aceso, a Água em movimento, que leva o polem e as sementes de um lugar a outro da Terra. É símbolo de nossos pensamentos, nosso lado racional. É o elemento da INSPIRAÇÃO e da RACIONALIZAÇÃO. Nwyre, o Éter Filosófico, a junção dos elementos no Sagrado Caldeirão do Conhecimento Divino, de onde surge as Três Gotas da Sabedoria do AWEN Sagrado. É a Alma, a Partícula divina que encontra-se em todos nós. É o elemento da UNIÃO e da SACRALIZAÇÃO.

Podemos a partir desta pequena explicação, fazer uma uma co-relação entre estes Elementos e os 8 que citei acima... Calas, a Terra, a Rocha, a Carne e os Ossos, que juntos nos dão a sustentação para nosso corpo. Gwyar, a Água, o Sangue, o Sal (lembrando que o sal é terra, mas tem origem no mar, na água), nossos fluídos e nossos sentimentos, que mantem a vida e ajudam no processo de reprodução da vida. Uvel, o Fogo, o calor que nos mantem aquecidos e vivos, nossos impulsos de sobrevivência, nossa sede de lutar a cada dia pela nossa sobrevivência das mais variadas formas. Fun, o ar que respiramos, a Verdade inerente a cada um, a Mente, o discernimento. Nwyre, o éter, a Alma, a Divindade, o Incriado dentro de nós.

Para encerrar, as palavras de Iolo Morganwg sobre os 8 elementos:
  
From the earth, the flesh;
From the water, the blood;
From the air, the breath;
From the calas, the bones;
From the salt, the feeling;
From the sun, that is, the fire, his agitation;
From the truth, his understanding;
From the Holy Ghost, that is, God, his soul,
  or life.

(Tradução)

Da Terra, a Carne;
Da Água, o Sangue;
Do Ar, a Respiração;
Da Rocha * , os Ossos;
Do Sal, os Sentimentos;
Do Sol, isto é, do Fogo, a Agitação;
Da Verdade; o Entendimento;
Do Espírito Sagrado, isto é, de Deus, a Alma, a Vida

(*no Barddas, na parte onde aparece a relação dos Elementos que Constituem o Homem, aparece uma relação entre Calas e a Pedra, ou a Rocha, e sua relação com os ossos.)

domingo, 29 de janeiro de 2012

A Roda do Ano - dia 12

Roda do Norte, Roda do Sul, Roda mista, o que seguir?! Esta é a pergunta mais frequente de quem começa sua jornada no paganismo, seja no druidismo, seja na wicca ou na Asatrú. E cada defensor de cada linha tem sua teoria para justificar a escolha... Algumas, muito boas, outras, falíveis... Mas em todos os casos, teorias que justificam uma escolha em detrimento de outra. E não importa qual seja a sua escolha, contanto que seja bem fundamentada como um Castelo fixado na rocha, e não como uma casa de palha feita na areia. Por isto, nesta postagem, me procurarei em fundamentar a minha escolha... E não colocar em questão outras formas de se ver a Roda do Ano, pois aprendi nestes anos todos que não importa o seu posicionamento acerca deste assunto, pois você sempre estará errado para uns, e certo para outros!

A minha justificativa para a maneira como eu sigo a roda do ano começa em uma nova análise da Cruz Druídica, mais precisamente, no Circulo de Abred. Este círculo é composto de 8 círculos, um ao lado do outro, sendo 4 deles fixos nas hastes da cruz, e os outros 4 colocados nas vértices de cada ângulo formado pelas hastes. estas 4 esferas móveis, como assim eu as chamo, forma nas hastes uma "dupla swastica" (por favor, não confundam com a do nazismo, pois uma não tem nada a ver com a outra), que gira em ambos os sentidos - horário e anti-horário.


Só isto já bastaria para justificar qualquer visão da Roda do ano - Norte ou Sul, não importa, pois a Cruz Druídica aceita ambas! Mas vamos adiante... como eu disse, existem 4 esferas móveis e 4 fixas na Cruz Druídica... As moveis, na minha visão, por não estarem fixas a haste principal, se adaptam de acordo com a região, ao contrário das Esferas fixas. Se colocarmos na visão dos que seguem uma roda mista, as móveis seriam os Solstícios e Equinócios, ou as Festas da Luz, e as fixas seriam as Festas do fogo, conhecidos como Belaine, Lughnasadh, Shamain e Imbolc. Por que "festas da Luz e Festas do Fogo? Festas da Luz, como prefiro classificar os solstícios e equinócios, por conta do nome que eles carregam para o druidismo - Alban Arthuan, ou Luz do Urso (Solstício de Inverno), Alban Eilir, a Luz da Terra (Equinócio da Primavera), Alban Heruin, a Luz da Margem (Solstício de Verão), e Alban Elved, a Luz da Água (Equinócio de Outono) - muito provavelmente receberam este nome por serem realizados durante a Luz do Dia - exceto Alban Arthuan, que é o único feito a noite. Já as Festas do Fogo, ou Festivais das Fogueiras, talvez tivessem este nome por serem celebrados durante a Noite, diante de fogueiras - exceto Lughnasadh, celebrado durante a Luz do dia. Os Solstícios e Equinócios se adaptam ao hemisfério que estamos, pois é um tanto complicado celebrar o solstício de verão em pleno inverno, e vice-versa. Já as Festas do Fogo, a história é bem outra...

Esta representação da cruz druídica contem alguns erros, mas dá uma boa noção do que se trata

As Festas do Fogo tinham suas datas fixadas por observação astronômica, igual a dos Solstícios e Equinócios (sim, os druidas eram profundos conhecedores de astronomia primitiva - o que inclui um pouco do que viria a ser a astrologia como a conhecemos). e estas datas coincidiam com certos "períodos astrológicos" (mesmo que os druidas não denominassem cada signo como nós o fazemos hoje, é muita coincidência certas datas caírem sobre a influência de certos signos) , como exemplo, Beltaine, a festa da Fertilidade, é comemorada aos 15° do signo de Taurus, cujo simbolismo e a fertilização da terra, da natureza. Shamain, a Festa onde se entrava em contato com o "Outro Mundo", o "mundo dos Mortos", tem sua data fixada por volta do 15° do signo de Scorpion, cujo significado é justamente o oculto, o mistério, o contato com o "O Outro Mundo". Lughnasadh então, talvez seja o mais emblemático dos quatro, por ser uma festa de comemoração ao Sol, e ser comemorada no 15° do signo de Leo, signo regido justamente pelo Sol. E aí, meus caros, a coisa se complica - ao menos para mim. Como celebrar a fertilidade em um período cuja influência é a de "contato com o outro mundo", ou celebrar o Sol em um período que não é regido pelo Sol? Alguns vão falar que é possível... mas a minha "visão de mundo" me diz que não dá, ao menos para mim, por conta de tudo isto! Daí vão falar... Mas como duas rodas? E digo, se está representado na cruz druídica, pode sim ser bem possível!

Onde quero chegar? Simples! A visão que lhe envolve sobre a Roda do Ano é somente sua, somente verdadeira para você! E pouco importa se outros acham que a "tua Roda do Ano" é confusa, pois pode ser que ela seja teorizada em demasia para os demais. O que importa é que, para você, as teorias sobre a tua versão da Roda do Ano sejam embasadas e válidas, pois aceitas uma roda "porque é assim, e pronto" denota pouco estudo sobre a tua fé. Deixo vocês com este pensamento, e até o próximo dia!

AWEN


sábado, 28 de janeiro de 2012

Magia - dia 11

Finalmente, chegou o dia de um dos temas que mais adoro no druidismo... Falar de magia na cultura celta e druídica, é algo que chega a ser obrigatório em muitas ordens druídicas, como a minha, por exemplo. E vai ser bom falar sobre isto, pois criou-se muitos mitos acerca do tema, que é bom que sejam desfeitos.

O que é magia, afinal de contas!? Segundo alguns, é o ato de moldar a natureza e a realidade de acordo com a sua vontade. Esta definição, que não é nova, é base da Tradição Universal, que foi e é transmitida a gerações por inúmeros ocultistas famosos, como Agripa, Eliphas Levi, Papus e Franz Bardon. Este conceito não é diferente para os druidas, onde temos inúmeras lendas que mostram mudanças de forma - como a Lenda do nascimento de Taliesin, que eu ainda vou discorrer sobre nos próximos dias - ou de dimensão - como a Lenda de Viviane e Merlin. O que difere é que, para os celtas e druidas, magia é uma coisa natural e acessível a todos, desde que haja dedicação e disciplina naquilo que se faz! Novamente, retornando ao dia de ontem, sem esforço não se chega a lugar nenhum...


Se fizéssemos um livro, onde contássemos a origem da magia e da Tradição Mágica Ocidental, obrigatoriamente teríamos que passar pelos druidas. Aliás, muito do Ocultismo moderno é sim oriundo do druidismo (alguns vão pensar que estou doido, mas não.)... Pensem comigo: O druidismo trabalhava com a Espargira - apesar de ser utilizada outra denominação -  e esta, por sua vez, foi uma das ciências sagradas que deu origem a alquimia. Os trabalhos em Círculos Mágicos, comuns na Teurgia, teve uma origem primitiva - sim, pois os Círculos primitivos em nada eram parecidos com os de hoje - nas Cerimônias Druídicas. Os Instrumentos Mágicos tão úteis na Magia cerimonial - varinha, espada, punhal, cálice, prato - tem seu correspondente no druidismo (aliás, a lenda onde Parsival participa de um banquete, onde encontra a Lança de Longinius, o Prato da Santa Ceia, o Graal e a Excalibur servem como um belo exemplo!)... Até a vassoura, comum na Wicca, é utilizada por nós, mas de forma totalmente diferente (a utilizamos para limpar as energias impregnadas do ambiente, e não como um portal dimensional como a Wicca... Apesar de gostar muito da ideia!). Sim, a magia de hoje é fruto do druidismo do passado, assim como o druidismo do passado é fruto do xamanismo primitivo! Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, como diria Lavoisier!



Por isto, vejo com certo assombro alguns autores que criticam outros, dizendo "esta magia não é druídica, é wiccana", ou "isto é da magia cerimonial, e não do druidismo"... Se dessem ao menos ao trabalho de estudar estes alfarrábios de magia e ocultismo, e comparassem com o que é conhecido do druidismo desde o início, jamais diriam tal coisa! A magia, em si, é universal, e não possui divisões... Estas só existem por finalidade de estudo! Como eu já escrevi em um outro blog, um verdadeiro iniciado sempre será reconhecido por outro, pois Magia é uma coisa só! Paremos pois, com os pré-conceitos contra "orações celtas" que não tem dizeres celtas, com fórmulas que não condizem com os arquivos históricos... O que vale, nestes casos, está na funcionabilidade dos mesmos, e não no fator histórico! Vejo muitos rituais repletos de trechos de livros e poemas celtas, mas vazio de essência, e vejo muitos outros, feitos apenas com as palavras da Inspiração que a todos nós assiste, sem nenhum trecho de Carmina Goidélica ou outro texto antigo, mas repleto da energia dos Antigos. Magia, meus caros, está aí, na nossa frente...cabe a nós nos esforçarmos para conhecê-la como ela é, e não como queremos que ela seja!

AWEN


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Rituais e Prática diária - dia 10

Ritual, algo que se faz com uma certa frequência, algo rotineiro. Lembro-me de um poema - não me lembro bem se é de Simone Beauvoir ou se era de Albert Camus, que tratava dos nossos "rituais diários", aquilo que fazemos todos os dias, marcando nossa existência, mas quase nunca prestamos atenção a eles, como trocar de roupa para o trabalho, escovar os dentes... Ritual não é, como o senso comum imagina, algo extraordinário, pois ele faz parte da nossa rotina, seja na sazonalidade dos rituais da roda do ano, seja na prática diária. Por isto, é impossível falar em Práticas diárias, sem falar em rituais, pois uma coisa acaba remetendo a outra.

E falar em práticas diárias implica em colocarmos o manto branco dos druidas em tempo integral! Só porque não estamos em uma floresta, celebrando uma cerimonia sazonal, isto não significa que deixamos de ser druidas! O somos em todos os momentos de nossa vida! O sacerdócio é uma marca indelével, que não sai só porque estamos indo para uma festa, ou viajando a passeio, ou indo trabalhar. Somos sacerdotes, do momento em que assumimos esta responsabilidade (olha a Honra aparecendo de novo), até o final de nossos dias! Tornar nossas vidas uma prática ritualística, como o sacerdócio exige, é difícil, é complicado muitas vezes, mas não impossível! O problema é que todos querem as cerimonias, as pompas, mas fogem dos deveres! Vejo não só em algumas pessoas que querem trilhar o caminho do druidismo, mas no paganismo em geral, a mentalidade de que é "a religião quem deve se moldar ao homem, e não o homem que deva se moldar a religião". Confundem a liberdade pagã, com "alvará para não fazer nada"... E se esquecem que um dia, isto lhes será devidamente cobrado! Um sacerdócio, meus caros, exige uma postura rígida de nós mesmos... Sim, somos realmente livres, pois escolhemos este caminho, mas temos de ter consciência de que a partir do momento em que fizermos esta escolha, temos que arcar com o ônus e o bônus do sacerdócio! Achar que só ter fé, vai mover a montanha, é dar corda para a preguiça! Fé é bom... Mas sem prática, é vazia de significado!

Dizem os que trabalham com as linhas mágicas, que se não houver prática diária, a magia não funciona! Sem a função rotineira do ritual, qualquer cerimônia vira apenas uma representação teatral que carece de essência... Pode até ser bonito de se ver, mas jamais conseguirá transmitir seu real significado! Por isto, muitos que iniciam sua jornada no paganismo, desistem logo na primeira dificuldade, no primeiro obstáculo. Lembro-me de uma vez, quando uma pessoa pediu para iniciá-lo, que lhe disse o que ocorreria durante todo o ritual de iniciação. Ele discordou de um ponto do ritual, e exigiu que não se fizesse aquilo, ou ele não iria se iniciar, pois bem, hoje ele foi iniciado na wicca, mas não segue, não pratica. Quando as pessoas insistem em querer moldar a religião ao que elas querem fazer, acaba-se perdendo a essência do religare, pois a religião não cumpre com a sua função de ligar o homem a Divindade, pois nem o homem quer realmente se ligar a algo, e nem a Religião estará ligada ao Divino, pois o interesse maior dela é angariar fiéis, e não ligá-los a algo maior!

Por isto, digo a todos que por ventura queiram começar sua jornada... Tudo na vida tem seu ônus e ônus...querer um sem querer o outro? Melhor desistir, pois não será possível! Ou a pessoa se molda a religião, pratica diariamente aquilo que ela segue, ou aquilo, no final das contas, será falso para ela e para os demais. Pensem nisto!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ancestrais - dia 09

Para Aqueles que antes de mim aqui estiveram
A minha profunda reverência!
Pois por este caminho já passaram
Com muita competência!

Os ensinamentos que deixaram
Para muitos, misto de sabedoria e demência
Para os que hermeticamente a estudaram
Recompensados foram, depois de muita paciência!

Antigos, amigos, que antes de nós por aqui passaram
Que seus ensinamentos nos sirvam como referência
Para que os percalços que no percurso enfrentaram
Nos ensine a sempre ter persistência!

Ancestrais que antes de nós se foram
Um pouco de vossa sabedoria, por clemência!
Mesmo que ancestrais de sangue não sejam
Mas na ancestralidade da terra, nos dá assistência!

 Ancestrais, Aqueles que antes de nós trilharam esta jornada... Talvez aqui não caiba palavras, somente sentimentos!
AWEN

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Deuses e Espíritos da Natureza - dia 08

Monoteísta, panteísta, politeísta... Qual o Druidismo segue? Esta discussão que permeou alguns dos grandes debates que ocorreram na saudosa e extinta Ordem Druídica do Brasil, também faz parte das temáticas envolvendo as diversas denominações do Druidismo, conforme já disse no dia anterior. Os seguidores do Meso-druidismo geralmente são "monoteístas", enquanto os Neo-druidas e Reconstrucionistas Celtas já são Politeístas ou Panteístas. Devo confessar que, por mais que eu seja partidário do meso-druidismo, para mim torna-se impossível aceitar um Monoteísmo Druídico, pois os festivais sazonais eram feitos em honra principalmente aos Deuses, e não só ao Incriado (um exemplo? O Ritual de Lughnassadh, ou "As Bodas de Lugh"). Mas também não posso dizer que sejamos um Politeísmo simples... Pois aceitamos que na Natureza tudo é sagrado e divinizado. Todos os Deuses são parte de uma Grande Linhagem... E por que não, dizer que Todos os Deuses tenham surgido da mesma matéria primordial que gerou o Universo? Acredito sim em um Politeísmo Panteísta, ou um Panteísmo Politeísta, como assim preferirem. Prefiro acreditar nesta "Ordem Hierárquica dos Deuses", a tentar aceitar um "Monoteísmo Politeísta", como ocorre em outros grupos...

Ao seguir um Panteísmo, aceito que tudo tem uma parcela divina, e em tudo tem uma essência da Divindade. è por isto que, ao entrar em um local sagrado, presta-se reverências aos "Espíritos do local"... Católicos fazem isto inconscientemente, ao entrar em uma igreja e fazer a saudação da genuflexão... Por que não fazer ao entrar em uma mata, em uma floresta, em um bosque ou mesmo no nemeton do lar (digo a saudação, e não a genuflexão!)? Ao olhar muitos rituais de outros grupos, vejo isto ser feito das diversas formas... Seja na Invocação dos Espíritos Beneficentes e Almas Druídicas, Seja na Invocação dos Guardiães dos Quadrantes (sim, é comum principalmente no Druidismo Matriarcal, ao contrário dos que pensam que é "coisa de wiccano"), seja na Saudação dos "Espíritos Forasteiros"... Apesar de não concordar com o termo, pois ao entrarmos em uma Floresta, o "forasteiro" é a gente, e não os Espíritos Guardiães do local!


Os Saxões (e quem estuda dendroterapia magnética, como muitos druidas), preferem chamar estas "Entidades" Guardiãs da natureza local de "Deuses do Local"... É a eles quem prestamos as primeiras homenagens ao entrar no Bosque para fazermos nossos rituais, ou até mesmo para meditarmos, ou nos divertirmos... Ou acham que os druidas não vão em uma cachoeira ou praia para se divertir também? E por que são a Eles nossas primeiras homenagens? Porque é a Eles a quem pedimos a permissão para estar naquele local! Eles são os "donos da casa", e até pela virtude da Hospitalidade, somente seremos bem vindos na casa alheira, se anunciarmos nossa visita, nossas intensões, e pedirmos a permissão para estar ali! Ninguém vai na casa dos outros sem avisar, abre a porta da sala sem pedir licença, entra e usufrui do conforto daquele lar sem pedir autorização. Assim também é no nosso caso com relação aos ambientes naturais, pois ali não é a nossa propriedade, a nossa casa. Ali é o lar de inúmeras espécies de Irmãos e Irmãs dos reinos animal e vegetal. É o local de manifestação e energização de inúmeros elementais (diz as lendas que as fadas se reenergizam nas florestas de coníferas e de pinheiros, inclusive), e é o local onde estes "Deuses da Natureza" , ou "Espíritos Guardiães" habitam!

No panteísmo, tudo É Deus, Tudo faz parte de Deus, tudo é manifestação do Sagrado... Respeitar os locais sagrados é honrar os Deuses. Este texto me fez remeter ao do dia 04, quando falei sobre locais sagrados... Manter o respeito por um local sagrado também é promover uma relação de confiança e amizade para com os Espíritos Guardiães e os Seres Elementais.. pois podem até achar que eles não estejam ali, mas eles existem, independente de sua crença neles! Respeitar para ser respeitado.... Um grande passo na grande Jornada druídica!

AWEN

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Denominações - dia 07

Ontem, em uma conversa com meu "colega de floresta' (sim, pois além de sermos druidas, estamos escrevendo nesta jornada dos 30 dias) o Druida do Vento, e este assunto novamente veio à tona... Existem muitas definições de como exercer o druidismo nos dias de hoje, tantas que acabam brigando entre si para definir qual é a correta, qual é a verdadeira. E como já no meu "dia 0"  deixei claro que a minha abordagem seria mais voltada para o Meso-druidismo do que o Neo-druidismo ou o Reconstrucionismo Celta, acabei me vendo obrigado a explicar para os demais um pouco sobre estas "denominações"... e o por quê sou favorável a acabar com os rótulos e deixar o rio fluir...

Comecemos pelo Meso-druidismo... Ele só já apresenta duas divisões em si mesma: O Druidismo Matriarcal, e o Druidismo Patriarcal ou Patrifocal. Ambas reivindicam para si a ancestralidade do druidismo primitivo, mas tem sua base doutrinaria em textos de Iolo Morgawng, e o "fator histórico" que ocasionou este cisma foi a Guerra do Visco, promovida pelo druida Gwydyon ( ou RAMA, caso sua fonte seja o Ramayana). Tanto que para o Druidismo Matriarcal, estaríamos para lá do ano 6500, enquanto no Druidismo Patriarcal ou Patrifocal, apenas estamos por volta do ano 4600. Aqui no Brasil, existem representantes dessas linhagens, mas isto deixarei para um outro tópico. Ambas tem um foco mais esotérico e ocultista, e bem voltado para a linha mágica... Mas como eu já disse, em ambas (ao menos nas duas ordens que tive o contato) o fator "eu sou verdadeiro, você não" é muito forte.

O Meso-druidismo, por sua vez, não "vê com bons olhos" o Neo-druidismo (e a recíproca também é verdadeira, pelo que percebi em alguns textos). O Meso, por achar que o Neo é um "engodo" ou um "placebo" de druidismo, que só serve para tirar as pessoas do caminho certo (em alguns poucos casos, até pode ser verdade... É no Neo-druidismo que eu vi aberrações como "cursos de introdução druídica" por valores absurdamente caros e por períodos de  um ano no máximo... Mas vi muitos projetos interessantes no Neo-druidismo, de ensino livre de "mensalidades" que acabam afastando os buscadores da senda, e deixando os "abastados financeiramente" e que querem pouco esforço, dominando este "comércio do ensinamento". Nada contra a cobrança para a confecções de materiais...mas nem todos tem o acesso financeiro para isto!). E  por parte do Neo-druidismo, o simples fato de o Meso-druidismo se embasar no Barddas de Iolo Morgawng, entre outros textos, como o Ossian, e estes textos serem considerados fraudulentos por parte dos historiadores. Bem...não entrarei no mérito da questão, mas não estaríamos discutindo druidismo nos dias de hoje se não fossem estes textos. O Neo-druidismo tem uma visão mais "liberal" do ensinamento druídico, tanto é que existem grupos cujo foco é mais cultural, outros, mais mágico, e outros, as duas coisas!

Correndo por fora desta "contenda", ainda temos o "Druidismo Gwyddonaid", que todos chamam de Wicca Gwyddonaid, por conta de uma tradição wiccana de mesmo nome, que surgiu do seio dessa tradição druídica; e o Reconstrucionismo Celta, em suas diferentes vertentes (ibérica, celtibérica, gaulesa, irlandesa, entre outras), com uma abordagem mais "acadêmica" sobre o celticismo.As postagens do Endovelicon e do Bard Kunvelin são nesta linha do Reconstrucionismo celta.

E ao final deste texto, o leitor pode se perguntar... Qual a verdadeira?!Onde está a verdadeira fonte de conhecimento druídico?! A minha resposta... Nenhuma delas é verdadeira e todas o são! Qualquer linha que diga "eu sou a verdade sobre o druidismo" ou " o único druidismo existente de verdade sou eu" está mentindo... Mentindo inclusive para si mesma, pois a verdade é um prisma multifacetado, onde observá-lo por completo é uma tarefa impossível... Mas todas o são, pois enxergam detalhes sobre o druidismo que será impossível para a outra linha enxergar, simplesmente porque cada linha tem apenas UMA visão do grande prisma que é o druidismo... Eu sigo uma linha voltada para o meso-druidismo, mas jamais esqueço desta máxima, e sempre dialogo, tento aprender, com as demais linhagens... Assim, posso não obter toda a verdade, mas chegarei próximo dela!

AWEN

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Ética - dia 06

Bem... depois do silêncio de ontem, este tema talvez seja mais relevante do que outros para o exato momento... Começarei com uma pequena história:

Após a Grande Celebração que marcava o final de mais uma Era Druídica, o Arquidruida, sentado junto aos outros Grandes Druidas, perguntou:

- "Irmãos, como bem sabem, somos guiados por Nove Nobres Virtudes. Gostaria que vocês, guardiões do Conhecimento dos Antigos, me dissessem qual delas é a mais importante, e por quê?

- Bem - exclamou o primeiro Grande Druida - acredito ser a Hospitalidade... Um homem que não saiba receber em sua casa, nem se portar na casa alheia, somente atrairá para si o rancor dos demais!

- Discordo, caríssimo Irmão - exclamou o segundo Grande Druida sentado à mesa - pois a Coragem é a mais importante... Alguém que se acovarda diante de uma situação e deixa os demais que dependem dele desprotegidos, só atrairá para si a desgraça da covardia!

- Acho que os irmãos se equivocam - diz o terceiro Grande Druida - pois um homem que não fale a Verdade jamais será alguém confiável.

- Discordo de todos - diz o quarto - pois alguém que não seja Fiel a sua família e ao seu clã, traz a ruína para toda a tribo."

Quando a discussão ia tomando corpo, mas nenhum dos Grandes Druidas chegava a um consenso, o Bardo que tocava durante o banquete parou de tocar sua harpa e se dirigiu ao Arquidruida, para lhe pedir a palavra... A cena foi te tamanho assombro, que todos os Grandes Druidas que junto estavam, se aquietaram. Foi quando o arquidruida permitiu ao Bardo que falasse:

"- Posso não ser um grande sacerdote como os senhores aqui presentes, mas digo a todos, que a maior das virtudes é a Honra!Pois Aquele que sabe receber bem, e se comporta de forma admirável na residência dos outros, só faz aquilo que a Honra lhe obriga a fazer, que é agir com os outros como agem contigo, e agir com os demais como queira que ajam contigo! A Coragem é apenas uma faceta da honra, pois um covarde somente o é desse jeito, porque engana a si mesmo, e nega a sua pobre existência o direito de agir sem o temor. E ao enganar a si mesmo, ele sonega a Verdade de seu coração, sendo infiel ao princípio mais primitivo da natureza, que é a Sobrevivência. Se ele já infringe em um único ato vil, muitos outras virtudes, ele demonstra que a Honra não se encontra com ele! Somente alguém honrado poderá ser fiel, justo, verdadeiro, corajoso e bom! Se for para dizer qual a maior das virtudes, que se diga que é a Honra, pois ela é a única que engloba todas as outras!"

O Arquidruida, com a emoção daqueles que se deparam com a Grande Verdade do Universo, levantou-se, abraçou o Bardo, e disse aos demais:

"- Vejam... os senhores ficaram discutindo durante um bom tempo sobre as Virtudes, mas se esqueceram de que é na simplicidade que se encontra a resposta verdadeira! Parabéns, meu caro Bardo! O AWEN Divino foi manifesto em suas palavras, e trouxe-nos a Luz onde havia as trevas!"

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A história, por si, talvez já bastasse para ilustrar este tópico... mas devido ao ocorrido ontem, acho necessário um pouco mais de argumentação...

Para um sacerdote, três coisas são terríveis em sua jornada espiritual: Perder a fé em Deus, Perder a fé na humanidade, e Perder a fé em si mesmo. Se perde a fé em Deus, ele - o sacerdote - perde a sua função de alguém que está ali "intermediando" a ligação entre os homens e Deus (e daí vem um dos sentidos originais do religare) e com isto, torna-se um ateu ou um herege. Se perde a fé na humanidade, ele não terá o porquê  ser o "intermediador" entre os homens e Deus, pois para ele, os homens deixaram de ser merecedores dessa ligação, se perderam... e isto geralmente torna o sacerdote em um eremita,  alguém que se isola do mundo. Perder a fé em si mesmo torna o sacerdote alguém desonrado, pois qualquer tentativa dele de funcionar como um "intermediador" entre os homens e a Divindade será falsa, ele não conseguirá acreditar nem em Deus e nem nos homens, pois não conseguirá acreditar em si mesmo.

Ontem foi um daqueles dias em que a fé na humanidade se torna bem abalada... Faz tempo que só vejo barbárie ocorrendo... é maus tratos e tortura aos animais, é o sufocamento ideológico que o Governo federal faz em cima dos índios de Belo Monte, é índios sendo chacinados, criança índia sendo queimada viva... e ontem, como o último tijolo do muro da vergonha, mortos, gravidas e crianças feridas em uma reintegração de posse em que se utilizou do totalitarismo e da força bruta desnecessária,pois momentos depois, um juiz federal mandou suspender a ordem de reintegração que já havia sido cumprida! As imagens e a indignação acerca de tudo isto me dominaram, e sem condições de fechar os meus olhos ao ocorrido, para escrever qualquer coisa que seja, pois aquelas cenas só me confirmaram que nossa sociedade esqueceu o que seja a Ética, o que seja a Moral... Esqueceu-se que não existe honra em lutar contra um inimigo desarmado, sendo que você está armado até os dentes. Ataca-se os mais fracos, pois sabem que eles não irão reagir, ou se reagirem, a sua reação poderá servir de desculpa. Diante de tudo isto, minha fé na humanidade ficou abalada, e resolvi dar este tempo... pensar... e o fruto dessa reflexão está aqui, postado! Deixar de lutar seria considerar-me derrotado antes mesmo de se iniciar a luta! É um dever, não só como druidas, mas como seres humanos, lutarmos por aquilo que acreditamos, lutar por uma "utopia possível", onde a Justiça e a Verdade andem lado-a-lado com os homens...Deixo vocês com estas palavras... Não se calem diante das injustiças, não cruzem os braços diante daquilo que considerar errado, lutem! Pois da luta pelos ideais é que se realizam os sonhos!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Nota do blog A Voz do druida - 22/01/2012

Pessoal dos 30 dias druídicos...hoje, domingo, no meu blog não haverá postagens... è difícil escrever qualquer coisa sobre minha fé, quando eu perco a fé no ser humano ao receber a notícia de que a "reintegração de posse" da comunidade do Pinheirinho, em SJC, termina com pelo menos 7 mortos, grávidas e crianças feridas... O Brasil repete Eldorado dos Carajás... Novamente, as classes mais simples da nossa população é vítima da falta de escrúpulos de um (des) governo que está aí a mais de uma década, e a única coisa que fez por eles dificilmente estará estampada em qualquer jornal da globo...7 mortos, grávidas e crianças feridas... Sinto,pessoal, mas não há fonte de inspiração que possa se manifestar em um caso desses... Hoje, o blog A Voz do Druida, se calará!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Locais Sagrados - dia 05

No dia anterior, coloquei que os celtas colocavam a natureza como algo sagrado... Isto é um fato incontestável. Mas não era somente a Natureza que era sagrada, pois haviam (e há) os famosos "círculos de pedra" e construções megalíticas (que ao contrário do que muitos pensam e propagandeiam, não é exclusividade das ilhas britânicas, pois em todo mundo celta, da irlanda até o vale do Danúbio, e entre os Celtiberos, também haviam construções desse tipo). Mas tratar disto é "chover no molhado"... Qualquer texto de qualquer site que trate sobre os druidas ou sobre os celtas fala sobre. Prefiro me ater em uma outra coisa, que muitos ignoram sobre este assunto...a existência da profanação no mundo celta.

Sim, meus caros... A pesar de entre os celtas quase tudo ter uma relação direta com o sagrado, havia sim o chamado "ato de profanação". As florestas eram sagradas...mas algumas partes eram mais do que outras, o que tornava qualquer corte de qualquer árvore naquela área ( e os celtas derrubavam árvores, pois as suas fortificações e construções era basicamente de madeira!) uma violação punível com a mais alta pena entre os celtas. Certas plantas somente poderiam se colhidas pelos druidas, e em ocasiões especiais, como na Modra Nech, onde os druidas colhiam o Viscum Album, mas se alguém tentasse imitar os druidas, teria sua punição... O simples fato de se comer carne de um animal que faz parte de seu totem ou da tribo já era considerado desrespeitoso... Os instrumentos considerados sagrados e ritualísticos, somente os druidas poderiam carregar, pois caso outros o fizessem, aquele objeto perderia seu sentido de sagrado. 

Dizer que entre os celtas não há o sentido de profanação, é desconhecer os pormenores da ritualística dos druidas. Por isto, me assustei quando, dias atrás, em um outro blog, o autor disse que "qualquer um poderia limpar seu altar, que o pensamento de não deixar fazê-lo era um erro"... Bem, se aquele espaço onde está o altar, o seu espaço sagrado, pode ser "perturbado" por qualquer um com a desculpa de que é para limpá-lo, então não é um espaço sagrado! Um local para se tornar sacro, deve ter, antes de tudo, uma postura de reverência, de respeito por parte de quem o utiliza! Se algo é sagrado para mim, eu o protegerei de que seja violado, e em virtude disto, eu serei responsável pela sua manutenção... Se eu deixo esta função para terceiros, que nem conhecem ou sabem do que se trata aquilo que está naquele espaço, então como posso dizer que é um espaço sagrado, se eu mesmo não o respeito como tal!? Comparando com outras religiões, é como se qualquer um entrasse em uma Igreja do Catolicismo, abrisse o Sacrário, retirasse as hóstias que lá estão, sem nem ao menos ter a autorização hierárquica para isto!

Qualquer local naturalmente preservado é um local sagrado... mas se eu entro ali com uma postura que não seja a de respeito ao local, ele em meu coração deixou de ser sagrado, pois profanei o local com a minha atitude. Por isto, um conselho para quem está trilhando a jornada druídica... Se iniciá-la, deve cumprir com suas obrigações... Deve respeitar não só os locais naturais, sempre pedindo a permissão para estar ali, como deve respeitar seu local sagrado particular, cuidando de sua manutenção, preservando-o... Este é um dever sacerdotal, e se quer seguir os passos dos antigos, deve fazer como eles!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Terra, Natureza e Vida Consciente - dia 04

Bem, alguns podem achar estranho..."é impressão ou dois dias foram colocados em um?!"... Pois meus caros, é isto mesmo... A postagem da Terra e Natureza e a postagem da Vida Consciente se fundiram, pois na minha visão, não dá para falar de uma, sem falar da outra! Como falar em natureza dentro do druidismo, sem colocar uma vivência consciente de seus atos no meio disso tudo?!Poderia inclusive acrescentar a postagem da Ética aqui, mas daí os 30 dias druídicos teriam se tornado um dia só!Aliás, não se preocupem... Haverá uma postagem especialmente desenvolvida para preencher o dia vago!

Natureza... algo sagrado não só para druidas, mas tembém para o paganismo em geral! É impossível para um verdadeiro pagão sequer pensar em destruição de uma floresta, de um eco-sistema que surgiu a centenas ou milhares de anos atrás, para a construção de um restaurante, de um shopping, de uma hidroelétrica... Já cheguei a comentar sobre isto em uma postagem na UWB e no meu outro blog, o Liberdade Pagã. É inexistente um pagão autêntico sem que este tenha ao menos um contato intrínseco com a Natureza. Assim também é com os druidas... dificilmente verá algum druida que não tenha ao menos uma vez, feito um ritual no "meio do mato", que não tenha tido um contato maior com a natureza para se energizar, purificar ou obter conhecimento. O druidismo depende da natureza para a sua sobrevivência, assim como a Natureza atualmente depende do ser humano para de manter viva!

E aí entra a questão de vida consciente... Se entendemos que a natureza é um organismo vivo e sagrado, como sobreviver sem lhe causar danos, tendo em vista que o simples fato de estarmos ali já gera um impacto ambiental?!Bem... Para ilustrar isto, citarei um diálogo que tive com minha filha ontem... Estávamos assistindo Dual Survivor na Discovery, quando eles se viram obrigados a caçar um animal para sobreviver...

Filha - "Por que eles estão maltratando o animalzinho?!Ele não fez nada para eles!"
Eu - "Porque eles precisam se alimentar!Estão no meio do deserto, e precisam comer, é uma questão de sobrevivência!"
Filha:"Mas é injusto, nem rezaram pela alma do animalzinho antes!"

Bem...o diálogo ainda continuou, mas esta frase me fez pensar... Quem conhece os participantes do programa, sabe que o Cody segue as técnicas antigas de sobrevivência, e que, no seu íntimo, ele deve sim ter pedido pela alma daquele animal... Mas não quis falar isto para minha filha, pois só este pensamento dela já era uma lição de como devemos nos portar em relação a Natureza... Para que "atrapalhar" com minhas explicações?! Mas com relação a vocês, caros leitores, posso me delongar um pouco... Vida consciente não é virar vegetariano, só porque defende uma causa ambiental... Se você estiver em uma situação que está perdido no mato (e para um druida, é um risco quase provável...nossos rituais são geralmente lá!), sem saber o que comer, provavelmente irá se alimentar de algum animal, pois isto é instinto de sobrevivência! Sigo muito o pensamento celta neste ponto... Se não for para comer, que seja em nenhuma situação, pois nada justificará! Cú Chulainn teve uma penalidade por comer carne de lontra, considerada "o cão do mar", pois ele era impedido de comer carne de cães... Se me proponho a ser vegetariano, terei de sê-lo em qualquer situação, inclusive se a minha vida estiver dependendo de me alimentar de uma simples larva de besouro (quem já viu ou fez treinamento de sobrevivência, sabe do que se trata), o que sinceramente, não estou nem um pouco disposto a fazer... Se defendo com o vegetarianismo, a não violência aos animais, jamais poderei bater em um mosquito que esteja se alimentando de meu sangue, mesmo que eu fique doente depois... Parece estranho o que digo, né?!Mas não é!

Como pagão e como druida, respeito a natureza vivente ao meu redor... Mas sei que o simples fato de eu existir já está gerando uma série de impactos ambientais, alguns positivos, outros negativos... querer minimizar meus impactos é algo necessário, mas não posso fazê-lo negando a minha própria natureza! Temos um instinto natural de sobrevivência, que me obriga a "matar inúmeros micro organismos" no simples ato da respiração! Como druida, ao plantar uma erva para fins medicinais, ou mágicas, devo cuidar para que ela sobreviva, e como irei fazê-lo, se uma cochonila insiste em querer acabar com as plantas?! É claro, não defendo com isto a matança indiscriminada de animais, como o Japão faz com as baleias, ou o uso de agrotóxicos e pesticidas químicos, como a agricultura o faz - aliás, se fosse para virar vegan, seria algo quase impossível para a realidade brasileira... Agricultura infestada de pesticidas que matam insetos e larvas em geral (até mesmo na orgânica ocorre isto, mas lá, o produto é natural), soja geneticamente modificada, que é utilizada desde ração animal (e aí, é incluso também a ração dos animais domésticos!), até ao óleo de soja usado para preparar nosso alimento... - o que coloco aqui, é que a cada "garfada" de seu prato, seja ele vegetariano puro, ou onívoro-carnívoro, há um impacto gerado, há animais mortos em ambos os casos... O que coloco é que a cada "colherada" estejamos conscientes de que tivemos sim uma parcela no impacto gerado, e que é nossa responsabilidade tentar amenizar este quadro!Mas como, se mesmo uma alimentação vegetariana também é causadora de impactos?!Bem, você não precisa virar vegan para se tornar consciente! O simples fato de reutilizar seu lixo, de consumir responsavelmente os recursos do planeta, de deixar de lado seu automóvel e ir para o trabalho a pé ou utilizando transporte coletivo - e cobrar das autoridades um transporte de qualidade, e não latas de sardinha humanas - , enfim...o simples fato de se harmonizar com o ambiente e saber conviver com ele, para que a cada impacto negativo seu, ao menos dois positivos sejam gerados, é mais do que suficiente!

A Natureza é sim sagrada, mas não é um ser que deva ser intocável... Mas ela não pode é ser destruída em virtude de um pseudo-desenvolvimento que a longo prazo causará danos irreversíveis inclusive a saúde humana. Ser consciente de seus atos não é virar "eco-chato-vegano" de uma hora para outra, e em um momento qualquer, ter de comer um animal para sobreviver, quebrando com a sua palavra para consigo mesmo (entraremos em maiores detalhes nisto quando falarmos sobre a Ética, mas adianto, mentir para si mesmo é também cometer ato de desonra!). Ser consciente é respeitar a natureza, saber tirar dela apenas aquilo que lhe seja necessário para sobrevivência, é não ser consumista, enfim...é ser uno com ela!Até a próxima, pessoal!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Cosmologia - 3º dia

(Antes de mais nada, só um esclarecimento... Esta postagem não está com um dia de atraso... Este autor é que  participou da "greve da internet", contra a Lei "anti-pirataria" norte-americana - que na verdade quer mesmo é controlar a informação que chega a você, caro leitor!)

Esta é, antes de mais nada, uma visão minha, a partir do que aprendi no Druidismo Matriarcal, no Meso-druidismo do Colégio Druídico do Brasil, e de inúmeras análises da Cruz Druídica. A partir desse aprendizado, retirei o conceito que será encontrado ao final deste texto. Todo o resto é fruto das diversas linhagens que eu já citei.


                                                       A CRUZ DRUÍDICA SIMBÓLICA


Tudo se inicia em Keugant, o círculo mais afastado da cruz druídica. Keugant é o vazio onde nada pode existir exceto o Incriado. A partir do "nada" é que começa a surgir o "todo" (em uma linguagem mais moderna, poderíamos comparar com o "Big Bang - o "Modelo Cosmológico Padrão", mas espere, que ainda tem mais!). E este "todo" é manifesto no círculo de Abred, onde passamos pela "Roda das Encarnações" ou as diferentes manifestações da Totalidade (representados pelos 8 círculos de Abred) para atingir finalmente Gwenwed - A Luz Branca. Nos fixemos por um momento em Abred. Começamos nossa jornada no Universo coo partículas sub-atômicas, que se unem para formar o átomo que vai dar origem aos elementos químicos. Estes, por sua vez, por ação da Lei de Gravitação , se aglomeram na formação de estrelas, galáxias e planetas... Mas a Matéria necessita de mais "informação" de até onde pode chegar. Surgem as formas de vida unicelulares vegetais, que depois evoluem para as algas, e estas saíram das águas formando musgos, fungos até chegar ao ápice das grandes florestas. Paralelamente, surgem as formas de vida  unicelulares que darão origem aos animais aquáticos,anfíbios, répteis, entre outros, até chegar ao reino animal como nos é conhecido e onde estamos inseridos no topo da cadeia alimentar. Mas não acaba aí! Nós não somos o ápice da evolução, pelo contrário, ainda h´uma grande jornada até chegarmos em Gwenwed, e para isto, temos ainda na jornada os "Reinos Espirituais" (mas que podemos encarar como outras dimensões do nosso Espaço-Tempo)... Mas deixemos esta jornada um pouco de lado, pois nosso objetivo neste exato momento é a questão cosmológica, e não a roda evolutiva... Vamos ao "fim" de nossa jornada, Gwenwed. Lá, tudo se encerra para, na verdade, retornar novamente a Keugant, e dar início a tudo de novo. Na verdade, se formos analisar bem, é um ciclo eterno de nascimento-morte-renascimento, como mostra as Leis da Natureza, da Reencarnação, e até mesmo alguns Modelos Cosmológicos, como o apresentado pelo físico Mário Novello. E digo mais ( em um delírio de AWEN), se cada Esfera de Abred for uma dimensão, um Universo a parte, onde todo o processo teria de se repetir (como é indicado nas Tríades Bárdicas), isto levaria a um ciclo eterno e infinito, tal qual a figura de um fractal, onde cada esfera seria uma outra "Cruz Druídica" - mas esta é apenas a minha visão...

Com a benção dos Deuses, despeço-me, aguardando um novo dia!

AWEN

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Os Três Reinos - Dia 02

A Terra, o Mar e a Montanha, o que realmente simbolizam? Quais as lições que estas três simples palavras podem me trazer? Que segredos iniciáticos então nisto? Muitos irão falar que "nenhum, afinal, a terra é a terra, o mar é o mar e a montanha é a montanha". Mas para aqueles que aprenderam a enxergar na natureza um livro onde se pode aprender muito, se estiver com tempo suficiente para lê-lo, estas três palavras significam muita coisa.

A terra, onde fixamos nossa morada, onde trabalhamos diuturnamente para colher a fartura da lavoura, onde desempenhamos os mais diversos ofícios para garantir nossa subsistência. Podemos dizer que é nosso corpo físico, com suas diversas funções e necessidades, pois é através dele que nos alimentamos, trabalhamos, realizamos as mais diferentes formas de ofício, construímos mecanismos que nos auxiliam nas inúmeras tarefas. É através do nosso corpo físico, no mundo físico, que podemos realizar nossa função de "ser social", de viver e construir uma sociedade, e de estipular e concretizar relações sociais, já que apesar de termos pensamentos individuais, vivemos em uma coletividade.

O mar, onde os celtas apontavam o "Outro Mundo", Tir na nÓg, o "reino de Avalon", ou que nome achar mais apropriado. O Reino onde se dirigiam os mortos e onde Heol - o Sol - se dirigia diariamente para "morrer" no poente. Seria o Reino Espiritual, onde os espíritos dos que antes de nós existiram, habitam, aguardando a roda das encarnações chamá-los novamente. Mas também é o campo ou o mundo emocional, tendo em vista que o mar nos causa fascínio, atração e medo ao mesmo tempo. O líquido amniótico que protege os filhos no ventre de suas mães, tem uma composição parecida com a água do mar, nos mostrando o carinho, a ternura e o amor materno no ato da proteção e da gestação, e que o caminho do fim também pode ser o caminho do início. A vida como a conhecemos surgiu do mar, e o espírito pós-mortem se dirige justamente para ele, no eterno ciclo de nascimento-morte-renascimento que rege as Leis da Natureza.

A Montanha, que para os gregos era "a morada dos Deuses", local onde o homem, através do esforço da escalada, encontrava como recompensa a proximidade com a Inspiração Pura do Incriado - o AWEN - e a elevação dos pensamentos mundanos, pois ao terminar uma escalada, jamais pensamos nas contas a pagar, no trabalho a entregar, somente pensamos no prazer de estar alí, vendo a bela paisagem. Podemos relacionar a montanha com a Alma, o Reino Anímico, a mônada ou centelha divina que encontra-se em cada um dos seres, e de onde provém o AWEN ou a Inspiração individual, fonte da verdadeira sabedoria, tendo em vista as palavras de Platão : "todo conhecimento é mero esquecimento", pois esquecemos sempre que a fonte verdadeira encontra-se neste reino, e não nos papéis. E com isto, podemos relacionar a montanha com o "reino mental", o "Mundo das Ideias" platônico, ou com o Kether da cabala judaica. O reino de onde provém todas as idéias e  as manifestações do Incriado. E como a montanha é ligada a terra pela sua base, podemos dizer que a manifestação da mente, do pensamento, concretiza-se e se materializa no Plano físico, pois nada é criado sem que antes, tenha sido primeiramente pensado.

AWEN